O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar os repasses financeiros destinados ao filme “Dark Horse”, que aborda a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão, divulgada nesta quarta-feira, 23 de julho de 2026, marca um novo capítulo em uma controvérsia que envolve figuras políticas proeminentes e questões de financiamento.
A investigação se concentrará no destino dos recursos provenientes de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também é pré-candidato à presidência da República, havia solicitado dinheiro ao ex-banqueiro, justificando que o montante seria para financiar a produção do longa-metragem. A autorização do STF ocorre após um pedido da própria Polícia Federal e um parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Origem das suspeitas e o filme “Dark Horse”
As suspeitas em torno do financiamento do filme “Dark Horse” ganharam destaque após a divulgação de um áudio pelo site The Intercept Brasil. Na gravação, o senador Flávio Bolsonaro é ouvido pedindo recursos a Daniel Vorcaro para a produção cinematográfica. Embora Flávio Bolsonaro tenha afirmado anteriormente que a solicitação era exclusivamente para o filme e que não havia qualquer irregularidade nos repasses, a natureza e o destino final do dinheiro levantaram questionamentos que agora serão apurados pela PF.
O filme, que promete retratar a trajetória de Jair Bolsonaro, insere-se em um contexto político polarizado e de grande interesse público. O financiamento de produções audiovisuais com temática política, especialmente quando envolvem figuras de alto escalão, frequentemente atrai escrutínio sobre a origem e a legalidade dos fundos, bem como sobre a potencial influência que tais repasses podem exercer.
Envolvimento de figuras políticas e judiciais
A decisão de André Mendonça, que foi definido como relator do caso pelo presidente do STF, Edson Fachin, no final de junho, é um passo significativo. O ministro havia solicitado um parecer ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, antes de se manifestar. Gonet, por sua vez, concluiu que existiam elementos suficientes para justificar a abertura formal de um inquérito para investigar os repasses.
Além do pedido da PF, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) também havia acionado o Supremo Tribunal Federal com uma solicitação de investigação. Contudo, a PGR se manifestou pelo arquivamento do pedido específico do parlamentar, focando a autorização no requerimento da Polícia Federal, que apresentou uma argumentação mais robusta para a necessidade da apuração.
Desdobramentos e o escopo da investigação
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, já havia expressado publicamente, em entrevista à GloboNews em junho, a necessidade de instaurar um inquérito para “apurar todas essas circunstâncias que permeiam esses episódios”. A PF busca esclarecer se os recursos enviados por Daniel Vorcaro aos Estados Unidos, sob a justificativa de financiar “Dark Horse”, foram desviados para outras finalidades.
Uma das principais linhas de investigação é a suspeita de que parte desses recursos possa ter bancado despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele reside desde fevereiro de 2025. Eduardo Bolsonaro nega veementemente tais alegações. A PF também quer verificar se o dinheiro foi utilizado para outras ações de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao governo de Donald Trump, ampliando o escopo da investigação para além do financiamento do filme.
A abertura deste inquérito reforça o papel do Poder Judiciário e dos órgãos de investigação na fiscalização das atividades políticas e financeiras de figuras públicas no Brasil. O caso “Dark Horse” promete ser acompanhado de perto, com potenciais desdobramentos que podem impactar o cenário político nacional. Acompanhe as atualizações sobre este e outros temas relevantes no M1 Metrópole, seu portal de notícias com informação de qualidade e contextualizada.