A capital paulista alcançou novamente um lugar de destaque no cenário educacional mundial, retornando ao grupo das cem melhores cidades para estudantes. O feito foi revelado pelo prestigiado ranking QS Melhores Cidades Estudantis 2027, divulgado nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, pela Quacquarelli Symonds (QS). São Paulo, a única representante brasileira na lista, conquistou a 100ª posição com 60,2 pontos, um avanço em relação ao ano anterior, embora ainda esteja três posições abaixo de seu desempenho em 2025.
A ascensão de São Paulo reflete a complexidade e o dinamismo de seu ecossistema educacional, que, apesar dos desafios, mantém sua relevância no cenário global. O relatório da QS oferece uma visão detalhada dos pontos fortes e das áreas que demandam maior atenção para a cidade consolidar sua posição como um polo de atração para talentos internacionais.
O panorama global e a posição paulista
No topo da lista, a cidade de Seul, capital da Coreia do Sul, mantém sua liderança pelo segundo ano consecutivo, seguida de perto por Tóquio e Londres, que completam o pódio. Melbourne aparece na quarta posição, enquanto Munique e Sydney dividem o quinto lugar, evidenciando a forte presença de cidades asiáticas e europeias no ranking.
No contexto latino-americano, São Paulo figura como a quarta melhor cidade estudantil, atrás de metrópoles como Buenos Aires (35ª), Santiago (55ª) e Cidade do México (77ª). A capital paulista se posiciona à frente de Monterrey (107ª), Bogotá (110ª) e Lima (148ª), que também compõem a lista regional. Essa comparação ressalta a importância de São Paulo como um centro educacional na América Latina, mas também aponta para a necessidade de maior competitividade em relação aos líderes regionais.
Pontos fortes: mercado de trabalho e acessibilidade
Um dos pilares que sustentam a boa colocação de São Paulo no ranking é a forte conexão entre o ensino superior e o mercado de trabalho. A cidade se destaca na 42ª posição mundial no indicador de atividade entre empregadores, que mede o reconhecimento das universidades locais por empresas que buscam recém-formados. Isso sugere que as instituições de ensino superior paulistanas estão alinhadas com as demandas do mercado, preparando profissionais valorizados pelas companhias.
Outro fator positivo é a acessibilidade financeira, onde São Paulo ocupa a 46ª colocação. A QS considera o custo de vida e as mensalidades, que nas sete universidades paulistanas avaliadas, têm uma média de aproximadamente US$ 6.100 (equivalente a R$ 33.458) por ano para estudantes internacionais. Esse valor, quando comparado a grandes centros educacionais globais, torna a cidade uma opção mais viável para muitos estudantes estrangeiros que buscam uma educação de qualidade sem custos proibitivos.
Desafios na experiência estudantil e internacionalização
Apesar dos avanços, São Paulo ainda enfrenta obstáculos significativos nos indicadores relacionados à experiência estudantil e à internacionalização. A cidade aparece em posições mais baixas em quesitos como composição do corpo discente (135ª), que avalia a presença de estudantes estrangeiros, opinião dos alunos (131ª) e atratividade (132ª). Embora o indicador de diversidade estudantil tenha registrado uma melhora de três posições, o patamar geral ainda é baixo, indicando que a cidade tem um longo caminho a percorrer para se tornar um destino mais acolhedor e atrativo para a comunidade estudantil global.
A maior queda no ranking foi observada no desempenho das universidades instaladas na cidade, que perderam 12 posições, caindo para o 47º lugar. Segundo a QS, essa variação reflete, em parte, o modelo brasileiro de internacionalização do ensino superior, que historicamente prioriza a cooperação científica e a diplomacia acadêmica, por meio de programas de intercâmbio e pesquisa, em detrimento do recrutamento ativo de estudantes estrangeiros para graduação e pós-graduação.
O modelo brasileiro de internacionalização e suas barreiras
O relatório da QS aponta que o Brasil, e consequentemente São Paulo, enfrenta desafios estruturais para atrair e reter talentos internacionais. A exigência de proficiência em português, a fragmentação das estratégias de divulgação internacional e a ausência de uma política nacional coesa para a permanência de talentos estrangeiros após a graduação são barreiras significativas. Essas questões impedem que o país e suas cidades aproveitem plenamente o potencial de uma comunidade estudantil global diversificada e engajada.
Ben Sowter, vice-presidente sênior da QS, reforça essa análise, destacando que o principal desafio do Brasil não reside na qualidade de suas instituições de ensino superior, mas sim na estratégia de inserção internacional. A capacidade de São Paulo de escalar ainda mais no ranking dependerá de políticas mais integradas e de um esforço conjunto para superar essas barreiras, tornando a cidade mais acessível e atraente para estudantes de todas as partes do mundo.
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