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El Niño: São Paulo se prepara para cenário climático de extremos

19.set.2024/Folhapress
19.set.2024/Folhapress

A recente e atípica chuva que atingiu São Paulo neste início de inverno, com quase cem milímetros de precipitação em apenas 24 horas, serviu como um alerta para o que está por vir. Longe de ser um evento isolado, esse volume expressivo, que superou a metade do esperado para todo o mês de junho, é um prenúncio da complexa diversidade climática que a metrópole deverá enfrentar com a chegada do fenômeno El Niño.

nio: cenário e impactos

Diferentemente de outras regiões do Brasil, onde o El Niño manifesta características mais homogêneas — como chuvas intensas no Sul e estiagem prolongada no Norte e Nordeste —, a capital paulista se encontra em uma zona de transição. Essa particularidade a coloca diante da possibilidade de experimentar um coquetel de eventos climáticos extremos, que incluem desde temporais avassaladores e vendavais até ondas de calor intenso, baixa umidade e a ameaça de incêndios florestais e em plantações.

A Complexidade Climática do El Niño em São Paulo

O meteorologista Enver Ramirez, chefe da Divisão de Previsão de Tempo e Clima do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), explica que a intensificação dos chamados jatos de alto nível é um dos mecanismos pelos quais o El Niño impacta a região. Essas correntes de vento em elevadíssimas altitudes, ao ganharem força, transportam um volume maior de chuvas para o Sul e também para o Sudeste do país. Contudo, é crucial entender que essa dinâmica não necessariamente significa um aumento no volume anual médio de precipitações na cidade, que gira em torno de 1.400 milímetros.

A principal alteração reside no padrão das chuvas. O que se espera é uma diminuição das precipitações suaves e contínuas, que se estendem por vários dias, em favor de pancadas mais concentradas e de alta intensidade, atingindo pontos específicos da cidade. Segundo Michael Pantera, meteorologista do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas) da Prefeitura de São Paulo, esse padrão de temporais é o principal fator que contribui para a ocorrência de alagamentos e transbordamentos em áreas urbanas densamente ocupadas, onde a infraestrutura de drenagem é constantemente desafiada.

Temporais e Secas: Os Desafios Iminentes

O período mais crítico dos efeitos do El Niño em São Paulo é aguardado para o final da primavera. Nesse momento, a infraestrutura urbana será severamente testada não apenas por temporais que tendem a vir acompanhados de vendavais, mas também por ondas de calor extremo. Antes mesmo da temporada de chuvas e ventos, os moradores da capital e de outras regiões do estado podem enfrentar dias de calor intenso, baixa umidade e uma qualidade do ar comprometida pela fumaça de incêndios. Este cenário remete aos ocorridos em 2024, quando quase todo o interior paulista sofreu com focos de fogo em florestas e plantações, também sob a influência da última ocorrência do El Niño.

A combinação de calor e seca aumenta exponencialmente o risco de novos incêndios, criando um ciclo de desafios ambientais e de saúde pública. A fumaça, além de afetar a visibilidade, agrava problemas respiratórios e impacta a qualidade de vida, especialmente em grandes centros urbanos. A preparação para esses eventos é, portanto, multifacetada, exigindo ações coordenadas para mitigar tanto os riscos de inundações quanto os de incêndios e seus desdobramentos.

Mobilização e Estratégias de Prevenção na Capital

Diante dessa perspectiva de eventos extremos, a Prefeitura de São Paulo tem intensificado seus esforços de prevenção. Treze áreas da administração municipal, que já atuam em um plano de prevenção de chuvas, foram incumbidas de apresentar suas estratégias específicas para lidar com os impactos do El Niño. A coordenadora do grupo, Isabel Silveira Camargo, engenheira florestal da Secretaria de Mudanças Climáticas do município, ressalta que essas estratégias devem ser detalhadas ainda em agosto, antecipando o ápice do fenômeno, que se espera a partir de setembro.

Entre as medidas consideradas primordiais para mitigar os riscos de inundações e acidentes, destacam-se a limpeza de cursos d’água e a poda de árvores. Essas ações são vitais para garantir o escoamento adequado da água e prevenir quedas que possam causar interrupções no trânsito, danos à infraestrutura e riscos à segurança da população. A preparação proativa é fundamental para minimizar os impactos de um fenômeno climático que promete testar a resiliência da capital paulista. Para mais informações sobre as ações climáticas e previsões, acesse o site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

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