A Justiça Eleitoral de São Paulo intensificou sua atuação na fiscalização das pré-campanhas para as eleições de 2026, determinando a remoção de 21 publicações consideradas irregulares que atacavam o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pré-candidato à reeleição. As decisões, proferidas por diferentes magistrados do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), apontam para práticas como propaganda eleitoral antecipada negativa, impulsionamento irregular de conteúdo e disseminação de informações falsas. Em um dos casos mais notórios, o deputado estadual Emídio de Souza (PT), coordenador do programa de governo da pré-campanha de Fernando Haddad (PT), foi multado em R$ 10 mil por um vídeo que utilizava inteligência artificial para associar Tarcísio ao personagem Chucky em cenas de violência.
A série de decisões judiciais reflete a crescente atenção da Justiça Eleitoral sobre a conduta dos pré-candidatos e seus apoiadores antes do período oficial de campanha. As 21 postagens removidas, alvo de ações movidas pelo diretório estadual do Republicanos, foram identificadas em perfis de parlamentares petistas e em páginas que se autodenominavam independentes nas redes sociais. O cerne das irregularidades reside na tentativa de atacar a imagem do governador de forma antecipada, utilizando-se de impulsionamento pago e, em alguns casos, de informações que não correspondiam à verdade.
A Fiscalização da Pré-Campanha e as Irregularidades Apontadas
Entre os parlamentares citados nas decisões estão os deputados estaduais Antonio Donato, Jilmar Tatto e Emídio de Souza, todos do Partido dos Trabalhadores. A pré-campanha de Tarcísio de Freitas argumentou que esses conteúdos faziam parte de uma “ofensiva organizada para produzir e impulsionar ataques” contra o governador, com o objetivo de prejudicar sua imagem durante a fase de pré-campanha, que deveria ser focada na apresentação de propostas e debates construtivos.
As decisões liminares do TRE-SP sublinham a importância de manter a lisura do processo eleitoral desde suas etapas preliminares, coibindo práticas que possam desequilibrar a disputa ou induzir o eleitor a erro. A legislação eleitoral é clara quanto aos limites da propaganda antecipada e à proibição de disseminar desinformação, princípios que se tornam ainda mais relevantes com a proliferação de conteúdos nas plataformas digitais.
O Caso do Vídeo com Inteligência Artificial e a Multa a Emídio de Souza
O episódio envolvendo o deputado Emídio de Souza ganhou destaque pela utilização de inteligência artificial (IA) na produção do conteúdo. O vídeo em questão manipulava a imagem de Tarcísio de Freitas, substituindo-a pela do icônico personagem de terror Chucky, e o inseria em uma narrativa gráfica com cenas de violência extrema, incluindo explosões, atos de vandalismo, criminalidade e feminicídios. A juíza auxiliar do TRE-SP, Domitila Manssur, considerou que a publicação extrapolou os limites da crítica política.
Na sua decisão, a magistrada enfatizou que o uso da IA para manipular a imagem de uma pessoa viva sem a devida identificação exigida pela legislação eleitoral é vedado. A juíza argumentou que o vídeo não se limitava a uma caricatura ou ridicularização, mas construía uma narrativa que visava atribuir ao político, ainda que simbolicamente, responsabilidade por um cenário de violência. A legislação eleitoral, embora não proíba o uso da IA em si, proíbe sua utilização para favorecer ou prejudicar candidaturas sem a identificação explícita de que o conteúdo foi gerado ou manipulado por inteligência artificial.
A condenação resultou em uma multa de R$ 10 mil para Emídio de Souza, além da determinação definitiva para a retirada do vídeo e a proibição de sua republicação, sob pena de multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento. Importante notar que o processo foi extinto em relação ao Diretório Estadual do PT e à Federação Brasil da Esperança, por falta de provas que os vinculassem diretamente aos perfis que veicularam o conteúdo.
Repercussão e o Debate sobre a Liberdade de Expressão na Pré-Campanha
A decisão judicial gerou reações imediatas. Em nota, o deputado Emídio de Souza expressou seu descontentamento, afirmando ser “lamentável que o governador e o seu partido no desespero recorram a um processo judicial para tentar responder uma crítica política.” Ele reiterou que a decisão não é definitiva e que confia na Justiça para reconhecer a fiscalização como um pilar da atividade parlamentar. Esse posicionamento levanta o debate sobre os limites da liberdade de expressão e da crítica política no ambiente eleitoral, especialmente quando novas tecnologias como a IA entram em cena.
Por outro lado, a pré-campanha de Tarcísio de Freitas reafirmou seu “compromisso com a verdade, o debate de propostas e o respeito à legislação eleitoral”, repudiando “o uso da desinformação e de expedientes ilegais como instrumentos de disputa política”. O conjunto das decisões é visto pelo grupo político como uma validação da tese de que há uma estratégia coordenada de ataques, utilizando-se de perfis anônimos e inteligência artificial para disseminar conteúdo negativo em massa.
O Papel da Justiça Eleitoral e os Desafios da IA nas Eleições
As intervenções da Justiça Eleitoral em São Paulo sublinham a importância de um ambiente eleitoral íntegro e equitativo, mesmo antes do início formal das campanhas. A proibição da propaganda antecipada negativa e a exigência de transparência no uso de ferramentas como a inteligência artificial são cruciais para garantir que o eleitor seja informado de maneira justa e sem manipulações. O caso do vídeo com Chucky serve como um alerta sobre os desafios que a IA impõe à fiscalização eleitoral, especialmente na distinção entre sátira política e desinformação prejudicial.
A regulamentação do uso da inteligência artificial nas eleições é um tema emergente e complexo. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem se posicionado sobre a necessidade de identificar conteúdos gerados por IA, buscando evitar a criação de “deepfakes” e outras formas de manipulação que possam distorcer o debate público e influenciar indevidamente o processo democrático. A decisão do TRE-SP reforça essa linha, mostrando que o Poder Judiciário está atento às novas ferramentas e seus potenciais impactos na lisura do pleito. Para mais informações sobre as diretrizes do TSE para as eleições, você pode consultar o site oficial do Tribunal Superior Eleitoral.
Para se manter atualizado sobre os desdobramentos das eleições de 2026, as decisões da Justiça Eleitoral e as análises aprofundadas sobre o cenário político brasileiro, continue acompanhando o M1 Metrópole. Nosso portal oferece informação relevante, atual e contextualizada, com o compromisso de trazer aos nossos leitores uma cobertura completa e de qualidade sobre os temas que impactam o seu dia a dia.