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Abertura da Linha 6 Laranja do metrô de São Paulo ocorre com estações incompletas e horário restrito

Tarcísio nesta quinta-feira, Água Branca é a mais adiantada, com 98% das obras c
Tarcísio nesta quinta-feira, Água Branca é a mais adiantada, com 98% das obras c

Após quase 18 anos de expectativa, a aguardada Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo foi oficialmente aberta ao público nesta sexta-feira (3). No entanto, a inauguração chega acompanhada de uma realidade que gera debate: todas as seis estações entregues operam em horário reduzido e ainda com obras em andamento, levantando questionamentos sobre a pressa na entrega de um projeto tão significativo para a mobilidade urbana da capital paulista.

Apesar de o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ter realizado a cerimônia de inauguração oficial na quinta-feira (2), cumprindo o limite imposto pela Justiça Eleitoral para que candidatos à reeleição participem de lançamentos de obras, a própria concessionária espanhola Acciona, responsável pela construção da linha, confirma em seu site que nenhuma das estações está 100% concluída. Este cenário de “inauguração em progresso” tem sido alvo de críticas e discussões sobre a prioridade da celeridade em detrimento da finalização completa da infraestrutura.

Inauguração sob o crivo eleitoral e a realidade das estações

A decisão de inaugurar a Linha 6-Laranja, conhecida como a Linha das Universidades, em um momento crucial do calendário eleitoral, trouxe à tona o debate sobre a influência política em grandes projetos de infraestrutura. O governador Tarcísio de Freitas realizou a viagem inaugural entre as estações Santa Marina e João Paulo, na Zona Norte, um dia antes da abertura ao público.

Diferente de gestões anteriores que inauguravam estações individualmente, o governo optou por uma abertura coletiva das placas em um palco montado na estação Santa Marina, que, segundo dados da concessionária, tem 95% de suas obras concluídas. Essa abordagem, embora eficiente para o cronograma político, contrasta com a situação real de diversas estações que ainda demandam intervenções significativas.

Desafios na mobilidade: estações em diferentes estágios e a falta de integração

A situação das estações entregues revela um panorama heterogêneo de conclusão. A estação Água Branca, por exemplo, é a mais adiantada, com 98% das obras concluídas. Contudo, mesmo com esse alto percentual, ela ainda não oferece integração direta com a CPTM. Passageiros que desejam fazer a transferência entre a Linha 6-Laranja e a Linha 7-Rubi precisarão caminhar pela rua, ficando expostos às intempéries do clima, o que representa um inconveniente considerável para a experiência do usuário.

Em contraste, a estação Sesc Pompeia, localizada na Zona Oeste, apresenta o menor índice de conclusão, com apenas 85% das obras finalizadas. Mesmo assim, ela também será aberta ao público nesta sexta-feira. A seguir, o status de conclusão das estações inauguradas:

  • Água Branca: 98%
  • Santa Marina: 95%
  • Perdizes: 94%
  • João Paulo I: 93%
  • Freguesia do Ó: 90%
  • Sesc-Pompeia: 85%

O cenário nas estações: tapumes, escadas rolantes e obras a céu aberto

A reportagem do g1, na véspera da inauguração, encontrou evidências visíveis do trabalho em andamento. Na estação João Paulo, na Freguesia do Ó, foram observados diversos tapumes dentro da estação e escadas rolantes interditadas, impedindo o uso pelo público. Do lado de fora, a cobertura do futuro terminal de ônibus estava instalada pela metade, e em um dos acessos por cima da Avenida Miguel Conejo, as escadas rolantes sequer haviam sido instaladas pela concessionária, apesar de o site da Acciona indicar 93% de conclusão para esta estação.

A imagem capturada no local, mostrando uma escada inacabada, pilhas de tijolos e peças metálicas, reforça a percepção de que a linha está sendo inaugurada em um estágio de construção que ainda exige atenção e finalização. A presença de caminhões trabalhando no exterior da estação João Paulo I também sinaliza que os esforços para concluir a infraestrutura continuam intensos.

A defesa do governo: aceleração das obras e ganho de receita

Inicialmente, o próprio governador Tarcísio de Freitas havia anunciado que o primeiro trecho da Linha 6 Laranja seria entregue somente em outubro deste ano. Contudo, em virtude do calendário eleitoral e de um aditivo contratual de R$ 3,6 bilhões pago à concessionária no ano passado para acelerar as obras, o governo pressionou a empresa para antecipar a inauguração.

Em coletiva de imprensa, o governador defendeu a decisão de adiantar o calendário, rebatendo as críticas de opositores. “Quanto mais tempo você deixa de operar, maior é a conta [para o estado], devido à perda de receita. Então o que foi feito? Vamos trabalhar num programa de aceleração, para colocar a linha para operar antes, para gerar receita antes e para diminuir essa conta. É o ganha-ganha. Para empresa é bom, para o cidadão é bom”, declarou Tarcísio de Freitas, justificando a medida como uma estratégia financeira e operacional benéfica para todas as partes envolvidas. Acompanhe mais notícias sobre infraestrutura em São Paulo.

O M1 Metrópole continua acompanhando de perto os desdobramentos da Linha 6-Laranja, trazendo as informações mais relevantes e contextualizadas para você. Para ficar por dentro das últimas notícias sobre mobilidade urbana, política e outros temas que impactam seu dia a dia, continue navegando em nosso portal e confira a variedade de conteúdos que preparamos com compromisso com a informação de qualidade.

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