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Pesquisa no Paraná desenvolve vacina para combater tumor infantil raro e agressivo

Pesquisa no Paraná desenvolve vacina para combater tumor infantil raro e agressivo
20.mar.26/Folhapress

Cientistas do Paraná estão na vanguarda de uma pesquisa promissora que pode revolucionar o tratamento de um dos cânceres mais agressivos da infância: o tumor do córtex da adrenal. Uma vacina experimental, desenvolvida no Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe (IPP), em Curitiba, demonstrou resultados encorajadores em testes de laboratório e se prepara para a próxima fase de estudos, oferecendo uma nova perspectiva para crianças que não respondem às terapias convencionais.

A iniciativa ganha especial relevância no Brasil, onde a incidência desse tipo de tumor apresenta particularidades genéticas, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. O avanço representa um farol de esperança para famílias que enfrentam o diagnóstico de uma doença rara e muitas vezes devastadora, buscando alternativas para pacientes que esgotaram outras opções de tratamento.

Um Câncer Infantil de Alta Agressividade

O tumor do córtex da adrenal é uma neoplasia maligna que se origina na camada mais externa das glândulas suprarrenais, responsáveis pela produção de hormônios essenciais. Embora seja considerado um câncer raro, sua agressividade o torna um dos mais temidos na pediatria oncológica. O diagnóstico precoce, muitas vezes, permite altas taxas de cura com intervenção cirúrgica.

Contudo, uma parcela significativa de pacientes é diagnosticada tardiamente ou não apresenta resposta satisfatória à quimioterapia e à cirurgia. É precisamente para esses casos desafiadores que a vacina terapêutica em desenvolvimento surge como uma alternativa potencialmente salvadora, visando estimular o próprio sistema imunológico da criança a combater as células cancerígenas.

A Promessa da Terapia Celular

A vacina em questão não é uma medida preventiva, mas sim uma terapia celular administrada após a ocorrência do tumor. Ela consiste em um coquetel produzido a partir de células do sistema imunológico do próprio paciente, cuidadosamente “treinadas” para reconhecer e atacar especificamente as células tumorais. O objetivo é fortalecer a capacidade natural de defesa do organismo contra a doença.

Os experimentos iniciais, realizados in vitro (em laboratório), já indicaram que a vacina é capaz de atacar eficazmente o tumor. Com base nesses resultados positivos, a equipe de pesquisadores, liderada pelo médico Bonald Cavalcante de Figueiredo, diretor do Biobanco do IPP, planeja iniciar os testes em camundongos a partir da segunda metade de setembro. Essa etapa é crucial para avaliar a segurança e a eficácia da vacina em um organismo vivo antes de, eventualmente, progredir para estudos em humanos.

Mapeamento Genético e a Realidade Brasileira

A pesquisa no Paraná não é por acaso. Um mapeamento genético conduzido por especialistas do IPP revelou uma frequência elevada da variante TP53 p.R337H do gene TP53, fortemente associada aos casos de carcinoma da adrenal, em algumas regiões do Brasil. No Paraná, cerca de 0,3% da população apresenta essa variante, seguido por Santa Catarina (0,24%) e São Paulo (0,21%).

No estado do Paraná, mais de 90% dos casos de tumor do córtex da adrenal em crianças estão diretamente relacionados a essa mutação genética. Essa particularidade epidemiológica faz com que o Hospital Pequeno Príncipe, ligado ao IPP, seja um centro de referência no atendimento a pacientes com esse câncer raro, permitindo que os pesquisadores tenham acesso a amostras de tumor do biobanco para aprimorar o desenvolvimento da vacina terapêutica.

Próximos Passos na Pesquisa e Expectativas

Os testes em camundongos serão conduzidos com tumores de aproximadamente 1 cm a 1,5 cm, um tamanho considerado adequado para avaliar a resposta terapêutica, representando cerca de 5% do peso corporal do animal. Para pacientes humanos, os pesquisadores estabeleceram um limite máximo de até 100 gramas de tumor para o estágio 1 da doença, quando o risco de óbito é relativamente baixo.

É importante notar que, na faixa etária mais comum de diagnóstico (de 0 a 4 anos, com peso variando de 3 a 16 kg), um tumor que ultrapasse 10% do peso corporal da criança já indica um risco elevado de óbito. A expectativa é que, se os testes em animais forem bem-sucedidos, a vacina possa oferecer uma nova esperança para esses pequenos pacientes, especialmente aqueles em situações mais críticas.

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