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Vacina da Takeda contra dengue demonstra proteção robusta em adolescentes com apenas uma dose

Vacina da Takeda contra dengue demonstra proteção robusta em adolescentes com apenas uma dose
Daniel Duarte - 19.nov.25/AFP

Em um cenário de crescentes desafios impostos pela dengue no Brasil, uma nova análise do desempenho da vacina Qdenga, desenvolvida pelo laboratório Takeda, traz resultados promissores. O estudo, realizado em condições de vida real durante as epidemias de 2024 e 2025 no estado de São Paulo, revelou que o imunizante oferece uma proteção significativa contra a hospitalização e casos sintomáticos da doença em adolescentes, mesmo após a administração de uma única dose.

A dengue representa um grave problema de saúde pública no país, com surtos recorrentes que sobrecarregam o sistema de saúde e afetam milhares de famílias. A chegada de vacinas como a Qdenga é um marco importante na estratégia de combate à doença, e a compreensão de sua efetividade em larga escala é crucial para otimizar as campanhas de vacinação.

Efetividade da Qdenga em Cenário de Vida Real

A pesquisa acompanhou de perto a performance da Qdenga na chamada fase 4 de testes, um estágio pós-registro onde a vacina é avaliada em seu uso cotidiano. Os dados coletados de 166.390 testes de dengue realizados em adolescentes de 10 a 15 anos no período de 20 de fevereiro de 2024 a 31 de dezembro de 2025 forneceram uma base robusta para as conclusões. Desses testes, 65.365 foram positivos e 101.025 negativos, permitindo uma análise detalhada da efetividade.

Os resultados são encorajadores. Entre os adolescentes que receberam o esquema completo de duas doses, a efetividade estimada contra a hospitalização pela doença atingiu impressionantes 87,9%. Para casos de dengue sintomática confirmada por teste de antígeno, a proteção foi de 73,1%. Contudo, um dos achados mais relevantes foi a proteção observada com apenas uma dose do imunizante.

Proteção Sustentada com Dose Única

O estudo demonstrou que mesmo os adolescentes que receberam apenas uma dose da vacina Qdenga apresentaram uma efetividade considerável: 74,6% contra hospitalização e 59,2% contra a doença sintomática. O que torna esse dado ainda mais significativo é a constatação de que essa proteção não diminuiu ao longo do tempo, contrariando uma análise anterior que sugeria uma possível redução após cerca de 90 dias.

Com um período de acompanhamento estendido, os pesquisadores verificaram que, entre 270 e 364 dias após a primeira dose, a efetividade contra a dengue sintomática foi estimada em 74%. Após 365 dias, esse índice subiu para 77%, indicando uma proteção duradoura. A proteção contra hospitalização também se manteve estável durante todo o período analisado. Essa descoberta tem implicações importantes para a logística e a estratégia de vacinação em massa, podendo otimizar a cobertura em regiões de alta incidência.

A Importância dos Estudos Pós-Registro e a Luta Contra o Sorotipo 3

O pesquisador Julio Croda, um dos autores do estudo, ressaltou a relevância desses estudos de fase 4. Segundo ele, análises realizadas após o registro de uma vacina são capazes de fornecer informações adicionais que não são obtidas nos ensaios clínicos iniciais, que são usados para a aprovação do imunizante. “Na fase três, nós temos um grupo muito menor de pessoas. Portanto, ainda que se constate a eficácia contra a doença sintomática, não é possível precisar hospitalização, efeitos adversos raros e até mesmo benefícios menos perceptíveis na amostra”, afirmou Croda.

Enquanto os ensaios clínicos pré-registro da Qdenga envolveram cerca de 20 mil pessoas, a nova análise utilizou dados de mais de 166 mil testes, um volume que aumenta substancialmente a precisão das estimativas e permite a observação de eventos menos frequentes. Além disso, o estudo trouxe outra boa notícia: o imunizante também protegeu contra o sorotipo 3 (DENV-3) da doença, um tipo que tinha pouca circulação até o ano passado, mas que representa uma ameaça potencial para novas epidemias.

A capacidade da Qdenga de proteger contra diferentes sorotipos e de manter a efetividade com uma dose única, conforme demonstrado por este estudo em São Paulo, reforça o papel vital da vacinação no controle da dengue. Essas informações são fundamentais para as autoridades de saúde na formulação de políticas públicas e na ampliação do acesso à imunização, especialmente para a população adolescente, que é um grupo vulnerável. Para mais informações sobre as diretrizes de vacinação no Brasil, consulte o Ministério da Saúde.

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