As principais entidades do setor aéreo europeu elevaram o tom contra Bruxelas, solicitando a suspensão do recém-implementado Sistema de Entrada e Saída (EES) da União Europeia. A medida, que visa reforçar o controle de fronteiras e coletar dados biométricos de viajantes não-europeus, tem gerado filas de até cinco horas em aeroportos, causando atrasos significativos e prejuízos operacionais.
Em uma carta conjunta endereçada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta quarta-feira (1º), representantes de companhias aéreas e aeroportos alertaram que a situação atingiu um “ponto crítico”. Eles projetam um cenário ainda mais caótico para os meses de julho e agosto, período de alta temporada de férias no hemisfério norte, caso as regras do novo sistema não sejam flexibilizadas.
O novo controle de passaporte e seus desafios
O EES, sigla em inglês para Sistema de Entrada e Saída, foi plenamente implementado em abril com o objetivo de modernizar e agilizar o processo de verificação de viajantes de fora do continente. Ao coletar dados biométricos, como impressões digitais e imagens faciais, a expectativa é que o sistema torne as fronteiras mais seguras e, a longo prazo, mais eficientes. Contudo, a transição tem se mostrado complexa.
A iniciativa também reflete uma crescente preocupação com o controle imigratório, um tema sensível para os países europeus. O sistema se aplica a todos os viajantes de nações que não fazem parte do Espaço Schengen — que inclui os 27 membros da União Europeia, além de Suíça e Noruega. Isso significa que cidadãos brasileiros, americanos e britânicos, que representam um contingente significativo de turistas, estão entre os mais afetados pelas novas exigências.
Impacto operacional e alerta do setor aéreo
Desde sua implantação completa, o EES tem provocado severas consequências operacionais. A carta, assinada pela ACI Europe (representando os aeroportos), Airlines 4 Europe (companhias aéreas) e Iata (Associação Internacional de Transportes Aéreos), detalha que os tempos de espera no controle de fronteira aumentaram drasticamente, chegando a até cinco horas em horários de pico. Esses atrasos não apenas prejudicam a experiência dos passageiros, mas também colocam autoridades de fronteira, aeroportos e companhias aéreas sob uma pressão insustentável.
O documento ressalta que a situação pode levar a um “agravamento significativo de uma situação já muito difícil para os passageiros”, com relatos de aviões partindo com apenas metade de sua capacidade devido aos longos tempos de espera. A preocupação é que a falta de capacidade operacional em alguns Estados-Membros não consiga absorver o volume de viajantes, especialmente durante o pico do verão europeu.
Repercussão e resposta da Comissão Europeia
A gravidade do problema ganhou destaque público no mês passado, quando um vídeo de uma repórter da CNN viralizou. As imagens mostravam a jornalista enfrentando filas intermináveis no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, enquanto tentava embarcar para Londres. Após horas para acessar os totens de coleta biométrica, ela registrou outra fila colossal para passar pelos agentes de fronteira, evidenciando o caos.
Questionada sobre o alerta das empresas, um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que o problema é pontual e limitado a alguns aeroportos do bloco, onde os Estados-Membros não teriam garantido a capacidade operacional necessária para o novo sistema. Apesar de minimizar a questão, a Comissão prometeu uma reunião nos próximos dias para discutir o assunto e buscar soluções, indicando que a pressão do setor aéreo e a repercussão pública estão surtindo efeito.
Perspectivas e o futuro da mobilidade europeia
A discussão sobre a flexibilização do EES é crucial para garantir a fluidez do tráfego aéreo e a experiência dos milhões de turistas que visitam a Europa anualmente. O equilíbrio entre a segurança das fronteiras e a eficiência dos processos de entrada é um desafio complexo. A expectativa é que a reunião prometida pela Comissão Europeia traga diretrizes mais claras e, possivelmente, ajustes que minimizem os impactos negativos, sem comprometer os objetivos de segurança do bloco.
Acompanhe o M1 Metrópole para mais atualizações sobre este e outros temas relevantes que impactam o Brasil e o mundo. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, contextualizada e aprofundada para você ficar sempre bem informado.