O setor de turismo global atravessa seu momento mais favorável desde o início da crise sanitária provocada pela pandemia, superando desafios logísticos e instabilidades geopolíticas. De acordo com a edição mais recente do Índice de Desenvolvimento de Viagens e Turismo, divulgado nesta sexta-feira (25) pelo Fórum Econômico Mundial em Genebra, na Suíça, a grande maioria das economias globais registrou avanços significativos na estruturação de seus destinos.
O levantamento aponta que 92% das nações avaliadas apresentaram melhorias em suas condições para receber viajantes desde 2024. Embora o cenário seja otimista, o relatório faz um alerta importante: o custo das viagens tem crescido em ritmo superior à inflação, tornando o deslocamento mais caro em três de cada quatro países monitorados pelo estudo.
Japão lidera ranking de competitividade turística
No topo da lista, o Japão consolidou-se como o país com as melhores condições para o desenvolvimento do turismo, seguido pelos Estados Unidos e pela Espanha. O ranking não avalia apenas o volume de visitantes, mas a capacidade das economias em criar um ambiente propício para o setor, analisando pilares como infraestrutura, políticas públicas, sustentabilidade e recursos naturais e culturais.
Entre as nações que apresentaram a evolução mais expressiva em sua pontuação, destacam-se Albânia, Vietnam, Laos e Qatar. Essas economias têm investido fortemente na modernização de serviços e na promoção de seus atrativos, ganhando espaço no cenário internacional de viagens.
Posição do Brasil e desafios regionais
O Brasil ocupa atualmente a 33ª posição no índice global. Apesar de ter registrado uma queda de cinco posições em relação ao levantamento de 2024, o país mantém um papel de destaque no continente, figurando como o terceiro destino mais bem posicionado nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos e do Canadá.
A análise regional mostra que a Ásia-Pacífico liderou o crescimento no índice, com uma alta de 3,6%. A Europa, por sua vez, continua sendo a região mais competitiva, ocupando seis das dez primeiras colocações globais. O relatório completo pode ser consultado no portal oficial do Fórum Econômico Mundial.
O desafio da sustentabilidade e da mão de obra
Ramya Krishnaswamy, chefe da área de Economia da Experiência e Cidades do Fórum, ressalta que o foco do setor deve mudar. “O desafio atual não é apenas atrair mais visitantes, mas gerar maior valor por meio de investimentos em pessoas e infraestrutura”, afirma. Segundo ela, a colaboração entre os setores público e privado é essencial para que o turismo traga benefícios duradouros às comunidades locais.
O documento aponta ainda que o investimento no setor tem ficado abaixo da demanda desde 2022. Além disso, a escassez de mão de obra qualificada e a necessidade de empregos de melhor qualidade são gargalos que podem limitar o crescimento futuro, indicando que o aumento do fluxo de turistas não garante, por si só, melhores condições de vida para a população local.
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