PUBLICIDADE

Túnel Sena Madureira: Mp-sp investiga projeto de R$ 622 milhões na Zona Sul

taria de instauração de inquérito também destaca possíveis fragilidades estrutur
Reprodução G1

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) instaurou um inquérito civil para investigar o projeto de construção do Túnel Sena Madureira, localizado na Vila Mariana, Zona Sul da capital paulista. A iniciativa surge em meio a questionamentos sobre possíveis irregularidades e impactos urbanísticos de uma obra orçada em R$ 622 milhões, que é defendida pela gestão municipal como crucial para a mobilidade da região.

A decisão da Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo coloca sob escrutínio os estudos apresentados pela prefeitura para justificar a intervenção, buscando apurar “eventuais irregularidades, omissões técnicas e desconformidades legais”. Este movimento reacende um debate antigo sobre a prioridade de investimentos em infraestrutura viária na cidade e a sustentabilidade de projetos de grande porte.

O Projeto do Túnel Sena Madureira e seus Antecedentes Conturbados

O Túnel Sena Madureira é uma das apostas da atual administração municipal, liderada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), para desafogar o trânsito na Vila Mariana. A prefeitura argumenta que a obra visa melhorar a fluidez do tráfego, ampliar a conexão entre bairros e beneficiar diretamente mais de 800 mil pessoas por dia, facilitando o deslocamento em uma das áreas mais adensadas da cidade.

No entanto, a história do projeto é marcada por controvérsias. A ideia de um túnel na região não é nova, remontando a 2010, quando a empreiteira Queiroz Galvão venceu o certame original. Contudo, o contrato foi cancelado após o próprio Ministério Público apontar indícios de fraude na licitação. Recentemente, a Álya Construtora, sucessora da antiga Queiroz Galvão, venceu a nova licitação, mantendo o custo estimado em R$ 622 milhões.

Além das questões financeiras e licitatórias, o projeto enfrentou forte oposição por motivos ambientais. Em 2024, a obra chegou a ser suspensa pela Justiça e motivou protestos devido à previsão de corte de árvores. A gestão municipal afirma ter adequado o projeto para reduzir a necessidade de supressão vegetal, buscando mitigar um dos principais pontos de atrito com a sociedade civil e ambientalistas.

Abertura da Investigação e os Pontos de Dúvida

A Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo do MPSP, ao instaurar o inquérito, demonstrou preocupação com a solidez dos estudos que embasam o projeto. A portaria de instauração destaca possíveis fragilidades estruturais nos estudos de mobilidade incorporados ao Estudo de Viabilidade Ambiental (EVA) de 2024, documento que deu o aval para a obra.

O órgão ministerial ressalta que uma intervenção viária dessa magnitude pode afetar significativamente a mobilidade urbana, tanto durante a fase de construção, com os inevitáveis transtornos, quanto após a conclusão do túnel. A investigação busca, portanto, coletar informações adicionais para assegurar que o projeto esteja em conformidade com as normas urbanísticas vigentes e, principalmente, que atenda aos interesses difusos da população, como o direito à circulação e à qualidade de vida na cidade. Para isso, a promotoria concedeu um prazo de 30 dias para que a administração municipal envie a cópia integral do novo projeto, aguardando um posicionamento oficial da prefeitura.

O Contraponto da Oposição e Alternativas Propostas

A abertura do inquérito pelo MPSP foi impulsionada por uma representação de vereadores de oposição ao atual prefeito: Marina Bragante (PSB), Nabil Bonduki (PT), Renata Falzoni (PSB) e Toninho Vespoli (PSOL). Os parlamentares solicitaram a anulação do EVA de 2024, argumentando que o projeto do túnel é dispendioso e ineficaz.

Em março, os vereadores apresentaram um estudo alternativo que propõe intervenções viárias de baixo impacto e um custo total de apenas R$ 1 milhão – uma fração ínfima, equivalente a 0,16% do orçamento previsto para a obra subterrânea. A vereadora Renata Falzoni (PSB) enfatizou a importância da investigação: “A abertura do novo inquérito pelo Ministério Público é um passo importante para reforçar o caminho correto dos investimentos em mobilidade na cidade. É fundamental dar prioridade à mobilidade ativa e ao transporte coletivo de massa.”

Falzoni criticou o modelo de urbanismo que, segundo ela, o túnel representa: “São Paulo não precisa de mais um túnel, que é uma obra cara, ineficiente e que representa um modelo ultrapassado de urbanismo.” Essa visão reflete uma corrente crescente de urbanistas e ativistas que defendem soluções que priorizem pedestres, ciclistas e o transporte público em detrimento de grandes obras focadas no fluxo de veículos individuais.

A Defesa da Prefeitura e o Debate sobre Mobilidade Urbana

A Prefeitura de São Paulo mantém sua defesa do projeto, reiterando que o Túnel Sena Madureira é uma solução necessária para os desafios de mobilidade da região. A gestão argumenta que a obra trará benefícios substanciais para a fluidez do trânsito e a conectividade entre os bairros, impactando positivamente a rotina de milhares de cidadãos.

O debate em torno do túnel é emblemático das discussões mais amplas sobre o futuro da mobilidade em grandes centros urbanos. Enquanto a prefeitura busca soluções para o tráfego intenso, a oposição e setores da sociedade civil clamam por um planejamento urbano que priorize a sustentabilidade, a qualidade de vida e o investimento em alternativas de transporte que não estimulem o uso do automóvel. A investigação do MP-SP adiciona uma camada de complexidade a essa discussão, exigindo transparência e rigor técnico na avaliação de projetos que consomem vultosos recursos públicos e moldam o futuro da cidade.

Acompanhe o M1 Metrópole para se manter informado sobre os desdobramentos desta e de outras notícias relevantes. Nosso compromisso é trazer a você informação de qualidade, contextualizada e apurada, para que você compreenda a fundo os fatos que impactam sua vida e sua cidade. Acesse o site do Ministério Público de São Paulo para mais informações sobre as ações do órgão.

Leia mais

PUBLICIDADE