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Tratamento da obesidade com canetas é de longo prazo para manter o peso

Karime Xavier/Folhapress
Karime Xavier/Folhapress

A obesidade, reconhecida globalmente como uma doença crônica, progressiva, inflamatória e multifatorial, exige uma abordagem terapêutica que vai muito além de soluções pontuais. Diferente de uma condição passageira, seu manejo demanda um compromisso contínuo e um engajamento profundo por parte dos pacientes, espelhando a necessidade de controle prolongado observada em enfermidades como asma ou hipertensão.

Nesse cenário, os medicamentos popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, que incluem substâncias como a semaglutida e a tirzepatida, surgem como ferramentas valiosas. Contudo, é fundamental compreender que, embora eficazes no controle do peso, essas medicações não oferecem uma cura definitiva para a obesidade. Seu papel é auxiliar no manejo da doença, atuando sobre mecanismos biológicos complexos que regulam a fome, a saciedade e o gasto energético, o que frequentemente implica em um uso contínuo ou prolongado para a manutenção dos resultados e a prevenção do reganho de peso.

A natureza crônica da obesidade e a abordagem terapêutica

A visão da obesidade como uma condição meramente estética ou resultado de falta de força de vontade tem sido progressivamente desmistificada pela ciência. Hoje, entende-se que ela é uma doença complexa, influenciada por fatores genéticos, ambientais, psicológicos e sociais. Essa compreensão é crucial para desestigmatizar a condição e promover tratamentos baseados em evidências científicas, que reconheçam a necessidade de intervenções a longo prazo.

A Dra. Maria Fernanda Barca, médica, doutora em endocrinologia e membro do grupo de tireoide do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), ressalta que a obesidade não pode ser tratada como um problema isolado. Sua natureza crônica exige um plano de tratamento abrangente, que pode incluir mudanças no estilo de vida, acompanhamento psicológico e, em muitos casos, o suporte farmacológico contínuo.

Como as canetas emagrecedoras atuam no organismo

Os medicamentos como a semaglutida (presente no Ozempic, Wegovy e Rybelsus) e a tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro) são análogos de hormônios intestinais, como o GLP-1 (peptídeo-1 semelhante ao glucagon) e, no caso da tirzepatida, também o GIP (polipeptídeo inibitório gástrico). Ao imitar a ação desses hormônios, eles desempenham múltiplas funções que contribuem para a perda de peso.

Entre seus principais efeitos, destacam-se a redução do apetite, o aumento da sensação de saciedade e o retardo do esvaziamento gástrico. Esses mecanismos combinados ajudam a controlar a ingestão calórica, diminuindo a tendência de comer em excesso. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou esses medicamentos para indicações específicas, inicialmente para diabetes tipo 2 e, posteriormente, para o controle de peso e tratamento da obesidade, reconhecendo sua eficácia.

O desafio da manutenção do peso e o efeito rebote

A interrupção do uso das canetas emagrecedoras geralmente leva à perda dos efeitos benéficos, resultando no reganho de peso. Isso ocorre devido a complexos mecanismos fisiológicos que o corpo ativa como uma espécie de

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