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Tratamento de esclerose múltipla no SUS cresce 26% em quatro anos no Brasil

Tratamento de esclerose múltipla no SUS cresce 26% em quatro anos no Brasil
Adriano Vizoni - 4.abr.24/Folhapress

Avanço no acesso a terapias de alta eficácia

O número de pacientes em tratamento para esclerose múltipla na rede pública de saúde brasileira registrou um salto de 25,9% entre 2019 e 2023. O dado, que aponta para uma mudança significativa no cenário da assistência neurológica no país, é fruto de um estudo conduzido por especialistas do Hospital Israelita Albert Einstein e pesquisadores do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS).

A pesquisa analisou o perfil de 27 mil pacientes atendidos pelo SUS. O crescimento no volume de atendimentos reflete, em parte, a atualização do protocolo clínico nacional ocorrida em 2021. A medida permitiu que médicos passassem a prescrever medicamentos de alta eficácia logo no início do tratamento, abandonando a obrigatoriedade de utilizar terapias de baixa eficácia antes de avançar para opções mais potentes.

Desafios regionais e a barreira do diagnóstico

Embora o acesso tenha se expandido, a neurologista Lívia Almeida Dutra, coordenadora do Instituto do Cérebro do Einstein e líder do estudo, alerta para uma realidade heterogênea. A distribuição de medicamentos e a oferta de centros de infusão ainda apresentam disparidades regionais importantes, o que impacta diretamente a qualidade da assistência oferecida em diferentes estados brasileiros.

Além da logística de distribuição, o diagnóstico precoce permanece como um dos maiores gargalos. A esclerose múltipla é uma doença autoimune que ataca a bainha de mielina, protegendo os neurônios, e exige agilidade para evitar sequelas permanentes. Segundo a neurologista Claudia Vasconcelos, da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), a demora na realização de exames complementares, como a ressonância magnética de crânio, atrasa o início da intervenção médica.

Sintomas e a importância da atenção básica

A doença manifesta-se de formas variadas, dependendo da área do sistema nervoso central afetada. Pacientes costumam relatar desde fadiga extrema e fraqueza muscular até alterações na visão e dificuldades motoras. Frequentemente, esses sinais iniciais são confundidos com quadros de ansiedade ou problemas ortopédicos, o que retarda o encaminhamento ao neurologista.

Para especialistas, a solução passa pelo fortalecimento da atenção básica. É fundamental que médicos de postos de saúde estejam preparados para identificar os sintomas precoces da esclerose múltipla. A ampliação do acesso a exames de imagem e a análise do líquor, além de biomarcadores que monitoram a progressão da enfermidade, são apontados como pilares necessários para garantir que o paciente receba o tratamento adequado antes que a doença evolua para surtos sucessivos.

O estudo completo, que detalha esses indicadores, foi publicado na revista científica Multiple Sclerosis and Related Disorders. O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos das políticas públicas de saúde e os avanços científicos que impactam a vida dos brasileiros. Continue conosco para se manter informado sobre as principais atualizações da ciência e do cotidiano.

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