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Tragédia no Nepal: avalanche e inundações deixam rastro de destruição e incerteza

Tragédia no Nepal: avalanche e inundações deixam rastro de destruição e incerteza
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O impacto da catástrofe natural no Nepal

O cenário no Nepal, um país profundamente marcado pela sua geografia montanhosa e pela relação espiritual com o Himalaia, foi drasticamente alterado por uma tragédia de grandes proporções. Na manhã de quarta-feira (26), uma série de inundações massivas, desencadeadas por uma avalanche, devastou regiões centrais do país, na fronteira com o Tibete. O desastre, que mobilizou equipes de resgate internacionais e locais, deixou um rastro de destruição que desafia a infraestrutura já limitada da nação asiática.

As primeiras informações oficiais apontam para um saldo inicial de 160 mortos e 484 desaparecidos, números que o noticiário local teme que possam aumentar significativamente. O gatilho para o evento teria sido um terremoto de magnitude 4.4, que provocou o descolamento de um grande bloco de gelo de um glaciar. O impacto do gelo sobre os rios Bhote Coshi e Trisuli gerou uma onda de lama e detritos que varreu vilarejos e infraestruturas por quilômetros, isolando comunidades inteiras.

Peregrinação e riscos em áreas de alta altitude

Embora a temporada de escaladas de alta performance, como a do Everest, esteja encerrada, o fluxo de visitantes no Nepal permanece expressivo. O período coincide com um feriado religioso que atraiu cerca de 500 peregrinos, majoritariamente indianos, além de fiéis hinduístas, budistas e jainistas, em direção à montanha sagrada de Kailash. Com 6.683 metros de altitude, o local é considerado um pilar espiritual que conecta o céu à terra.

A rota de peregrinação, que inclui o entorno do lago Manasarovar, situa-se justamente na zona mais atingida pela catástrofe. Até o momento, a incerteza sobre o paradeiro desses fiéis mantém as famílias e autoridades em estado de alerta. A dificuldade de comunicação, agravada pela destruição de pontes e redes de energia, torna o trabalho de localização das vítimas um desafio logístico extremo para as equipes de busca.

Esforços de resgate e vulnerabilidade social

As autoridades nepalesas emitiram alertas urgentes para que montanhistas e turistas que ainda permanecem em áreas de risco busquem refúgio em terrenos elevados, distantes dos leitos dos rios. O uso de tecnologia, incluindo drones equipados com sensores infravermelhos, tem sido fundamental para tentar localizar sobreviventes soterrados sob camadas de lama e detritos. Especialistas em resgate em montanha foram convocados para reforçar as operações, que ocorrem em meio a um período de monções, marcado por chuvas torrenciais que complicam ainda mais o acesso às áreas afetadas.

A situação expõe a fragilidade econômica de um país onde cerca de um quarto da população vive abaixo da linha de pobreza. Com a economia dependente da agricultura de subsistência e do turismo, a destruição da infraestrutura básica representa um golpe severo. O Nepal, que ainda carrega as cicatrizes do devastador terremoto de 2015 — que vitimou cerca de 8.500 pessoas —, enfrenta agora o debate sobre o impacto do aquecimento global. Cientistas alertam que o derretimento acelerado de glaciares em grandes altitudes pode tornar eventos como este cada vez mais frequentes, exigindo uma nova postura global diante da preservação ambiental e da segurança em regiões montanhosas.

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