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Vídeo chocante: PM simula roleta-russa com adolescente e é condenado por tortura em São Paulo

Vídeo chocante: PM simula roleta-russa com adolescente e é condenado por tortura em São Paulo
Reprodução G1

Um sargento da Polícia Militar de São Paulo foi condenado por tortura, abuso de autoridade, fraude processual e peculato após ser flagrado por câmeras corporais simulando uma “roleta-russa” com um adolescente durante uma abordagem na zona leste da capital paulista. As imagens, que vieram à tona após denúncia, revelam a gravidade da ação e reacendem o debate sobre a conduta policial e a eficácia dos equipamentos de monitoramento.

O incidente ocorreu em uma favela conhecida como Caixa d’Água, pouco antes das 16h. As gravações mostram o sargento Amauri dos Santos inserindo uma única munição no tambor de um revólver, girando-o e, em seguida, apertando o gatilho contra a cabeça do jovem. O disparo não aconteceu porque a bala não estava alinhada com a câmara de tiro, um detalhe que, segundo especialistas, não diminui a crueldade do ato.

A Ação Flagrada pela Câmera Corporal

A sequência de eventos capturada pelas câmeras é perturbadora. Antes da cena da roleta-russa, outro policial já havia sido registrado segurando um dos adolescentes pelo pescoço e apontando uma pistola para a cabeça dele, chegando a encostar a arma no olho do jovem. A vítima, em nenhum momento, demonstrou reação ou ofereceu resistência, evidenciando a vulnerabilidade da situação.

Após essa primeira ameaça, o sargento Amauri dos Santos chega ao local. As imagens mostram ele conversando com um colega, a quem pede para virar de costas para a câmera corporal, numa aparente tentativa de obstruir o registro. Na sequência, ocorre a simulação da roleta-russa. Mesmo após o não disparo, o sargento continua a encostar a arma no rosto e pescoço do adolescente, prolongando o terror psicológico.

Drogas Desaparecidas e Fraude Processual

A investigação revelou outras irregularidades graves. Após a abordagem inicial, os agentes obrigaram os adolescentes a caminhar pela comunidade, invadindo diversas residências sem mandado judicial. Em uma dessas casas, os policiais encontraram uma grande quantidade de entorpecentes. As imagens mostram os agentes comemorando a descoberta, com o material sendo acondicionado em caixas, mochilas e sacos plásticos.

No entanto, o material apreendido desapareceu antes de ser apresentado oficialmente às autoridades. Durante o processo, o sargento Amauri dos Santos tentou justificar suas ações, alegando que o revólver era de brinquedo, a munição uma cápsula de treinamento e que o material encontrado na casa era apenas lixo. Todas essas versões foram veementemente rejeitadas pela investigação e pela Justiça, configurando a fraude processual e o peculato.

Condenações e o Debate sobre a Tortura Psicológica

O Tribunal de Justiça Militar condenou o sargento Amauri dos Santos a 12 anos e cinco meses de prisão pelos crimes de tortura, abuso de autoridade, fraude processual – pela tentativa de obstruir a câmera corporal – e peculato, referente ao desaparecimento das drogas. O cabo Sandro Nascimento também foi condenado por tortura e abuso de autoridade, recebendo uma pena de quatro anos e dez meses em regime semiaberto.

A promotora de Justiça Militar Giovana Ortolano Guerreiro, em depoimento durante a investigação, destacou a natureza da “roleta-russa” como uma forma de tortura psicológica. “A roleta-russa é o expediente que se utiliza exatamente para torturas psicológicas. Se a munição alimentar a arma, dispara e o sujeito morre. É essa sorte ou azar que realmente inflige o temor na vítima”, afirmou a promotora, sublinhando o impacto devastador da prática na saúde mental da vítima.

Um terceiro agente e outros seis policiais ainda respondem ao processo e aguardam julgamento, o que indica a complexidade e a extensão das irregularidades na operação. A defesa de um dos réus, o soldado Eduardo Uchoa, afirmou acreditar na inocência do cliente.

O Impacto das Câmeras Corporais e a Mudança de Sistema

Este caso emblemático reacende o debate sobre a importância e a eficácia das câmeras corporais no monitoramento da ação policial. As imagens foram registradas pelo sistema antigo, que operava em modo de rotina, gravando continuamente sem a necessidade de acionamento manual. Esse modelo garantiu que a ação fosse capturada, mesmo com a tentativa de obstrução por parte do sargento.

No entanto, o modelo atual de câmeras corporais da PM paulista, em regra, depende do acionamento pelo próprio policial ou de ativação remota. Especialistas e defensores dos direitos humanos alertam que essa mudança pode comprometer a transparência e a capacidade de flagrar abusos, como o ocorrido na Caixa d’Água, caso os agentes optem por não ativar o equipamento em situações críticas. A transparência e a fiscalização são pilares fundamentais para a construção de uma relação de confiança entre a polícia e a comunidade.

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