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Tesouro Nacional arcou com R$ 152,46 milhões em débitos de entes subnacionais em julho

Tesouro Nacional arcou com R$ 152,46 milhões em débitos de entes subnacionais em julho
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Tesouro Nacional desembolsou R$ 152,46 milhões em julho para cobrir dívidas de estados e municípios, atuando como garantidor em operações de crédito que os entes subnacionais não conseguiram honrar. Este montante eleva para R$ 3,05 bilhões o total pago pela União no acumulado de 2026, evidenciando a persistência de desafios fiscais em diversas esferas do governo.

A União assume o papel de garantidora para facilitar o acesso de estados e municípios a financiamentos, tanto nacionais quanto internacionais, que são cruciais para investimentos em infraestrutura e serviços públicos. Contudo, quando os devedores falham em seus pagamentos, a responsabilidade recai sobre o Tesouro, impactando diretamente o orçamento federal e, consequentemente, os recursos disponíveis para outras áreas essenciais.

O Cenário das Garantias Honradas pelo Tesouro Nacional

O Relatório Mensal de Garantias Honradas pela União em Operações de Crédito e Recuperação de Contragarantias (RMGH), divulgado nesta segunda-feira (17) pelo Tesouro Nacional, detalha a extensão desses compromissos. Desde 2016, o volume total desembolsado pela União para honrar garantias em operações de crédito de estados e municípios alcançou a impressionante cifra de R$ 89,58 bilhões. Este dado sublinha a dimensão do problema e a necessidade de uma gestão fiscal mais robusta por parte dos entes federativos.

Apesar do elevado valor pago, a recuperação desses recursos tem sido um desafio constante. No mesmo período, o Tesouro Nacional conseguiu reaver apenas R$ 6,06 bilhões por meio da execução de contragarantias. Em julho deste ano, a recuperação foi de R$ 5,13 milhões, um valor modesto em comparação com os pagamentos realizados. A disparidade entre o que é pago e o que é recuperado levanta questões sobre a eficácia dos mecanismos de salvaguarda e a sustentabilidade fiscal a longo prazo.

Desafios na Recuperação de Dívidas de Estados e Municípios

O Tesouro Nacional aponta diversos fatores para o baixo volume de recursos recuperados. Um dos principais é a participação de vários estados no Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Este mecanismo, criado para auxiliar estados em grave desequilíbrio financeiro, prevê a suspensão temporária da execução das contragarantias. Isso significa que, enquanto um estado está no RRF, a União não pode cobrar imediatamente as dívidas que honrou em seu nome.

Cerca de R$ 79,78 bilhões das garantias honradas desde 2016 estão relacionados a estados que participam ou já participaram do RRF. A medida, embora essencial para a reestruturação financeira desses entes, acaba por prolongar a recuperação dos valores pelo Tesouro, gerando um passivo significativo para o governo federal.

Além do RRF, outros fatores contribuem para a dificuldade de recuperação. Há um montante de R$ 1,9 bilhão relacionado à compensação por perdas de arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), decorrentes da Lei Complementar 194/2022. Esta lei alterou a tributação de combustíveis, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo, impactando a receita dos estados e, consequentemente, sua capacidade de pagamento.

Adicionalmente, R$ 516,74 milhões não puderam ser recuperados devido a decisões judiciais que impedem a execução das contragarantias. Essas intervenções do poder judiciário, muitas vezes motivadas por argumentos de impacto social ou econômico, adicionam uma camada de complexidade ao processo de recuperação dos valores devidos.

O Impacto nas Finanças Públicas Nacionais

A contínua necessidade de a União honrar dívidas de estados e municípios representa um peso considerável para as finanças públicas do país. Cada real desembolsado pelo Tesouro para cobrir esses débitos é um real que deixa de ser investido em programas sociais, infraestrutura ou outras políticas públicas de âmbito federal. A situação exige uma análise aprofundada sobre a responsabilidade fiscal dos entes subnacionais e a efetividade dos mecanismos de controle e recuperação.

A discussão sobre a sustentabilidade fiscal dos estados e municípios é um tema central no debate econômico brasileiro. A dependência da garantia da União, embora necessária em muitos casos, pode gerar um ciclo vicioso se não houver um compromisso firme com o reequilíbrio das contas. A longo prazo, a saúde financeira do país como um todo depende da capacidade de todos os níveis de governo de gerir seus orçamentos de forma responsável e autônoma.

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