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Terapia genética via injeção traz esperança no combate à surdez congênita

8.fev.12/France Presse
8.fev.12/France Presse

Avanço na medicina genética contra a surdez

Uma nova abordagem na medicina regenerativa tem gerado expectativas positivas no tratamento da surdez congênita. Pesquisadores publicaram recentemente na revista Nature Medicine resultados preliminares de um estudo que utiliza terapia genética para reverter a perda auditiva causada por mutações específicas. A técnica, aplicada via injeção, demonstrou capacidade de restaurar parte da audição em pacientes que, anteriormente, apresentavam quadros de surdez profunda.

O estudo acompanhou dez pacientes ao longo de um período de 6 a 12 meses. Os dados indicam uma mudança significativa no perfil auditivo dos participantes: a média de perda auditiva, que girava em torno de 109 decibéis, reduziu para 52 decibéis após a intervenção. Na prática, isso significa que indivíduos que antes não detectavam sons intensos passaram a ser capazes de identificar ruídos cotidianos, como vozes e sons do ambiente.

O papel do gene OTOF na audição

A pesquisa focou especificamente no gene OTOF. Segundo o otorrinolaringologista Márcio Salmito, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a surdez congênita decorrente dessa mutação ocorre por uma falha na transmissão de sinais entre as células ciliadas, responsáveis pela amplificação sonora, e os nervos auditivos. Embora o ouvido capte o som, a informação não chega ao cérebro de forma processável.

Para contornar essa barreira, os cientistas utilizaram um vírus adeno-associado como vetor. Esse mecanismo permite entregar uma versão funcional e modificada do gene OTOF diretamente no alvo biológico. A estratégia é uma das apostas mais promissoras da medicina moderna para corrigir falhas genéticas na origem, sem a necessidade de intervenções cirúrgicas invasivas como o implante coclear em todos os casos.

Desafios e perspectivas futuras

Apesar do otimismo, a comunidade científica mantém cautela. Por se tratar de um estudo com amostra reduzida e resultados preliminares, novos testes clínicos de maior escala são indispensáveis para validar a segurança e a eficácia a longo prazo. Além disso, observou-se uma variação nos resultados conforme a idade dos pacientes, um ponto que ainda intriga os especialistas.

Curiosamente, a melhora foi mais acentuada em crianças entre 5 e 8 anos do que em bebês de aproximadamente um ano. Esse fenômeno é considerado contra-intuitivo, já que a plasticidade cerebral em idades mais tenras, teoricamente, favoreceria a reabilitação. Investigar por que essa discrepância ocorre será um dos próximos passos fundamentais para a consolidação da terapia.

A surdez congênita atinge entre 1 e 3 a cada mil nascidos vivos, tornando o desenvolvimento de alternativas terapêuticas uma prioridade de saúde pública. O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos desta e de outras inovações científicas. Continue conectado ao nosso portal para receber informações apuradas sobre saúde, tecnologia e os fatos que impactam o seu dia a dia com a credibilidade que você já conhece.

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