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Terapia Car-t nacional busca democratizar tratamento de câncer no SUS

Terapia Car-t nacional busca democratizar tratamento de câncer no SUS
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A medicina oncológica brasileira vive uma expectativa promissora com o avanço de pesquisas voltadas à democratização da terapia com células CAR-T no Sistema Único de Saúde (SUS). Considerada o “quinto pilar” do tratamento contra o câncer, essa tecnologia de ponta, que reprograma as células de defesa do próprio paciente para combater tumores, tem demonstrado resultados expressivos em casos antes considerados incuráveis.

Atualmente, o alto custo dos insumos e a dependência de tecnologias importadas limitam o acesso a esse tratamento no Brasil. Para reverter esse cenário, pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (INCA), em parceria com a Fiocruz e a Universidade de Brasília (UnB), trabalham no desenvolvimento de um modelo nacional, focado em reduzir custos e viabilizar a incorporação da terapia na rede pública.

A revolução da imunoterapia no combate ao câncer

O tratamento com células CAR-T representa uma mudança de paradigma na oncologia. Diferente da quimioterapia ou radioterapia, o procedimento funciona como um medicamento vivo e personalizado: as células de defesa do paciente são coletadas e modificadas geneticamente em laboratório para identificar e destruir as células cancerígenas. Uma vez reintroduzidas no organismo, essas células têm a capacidade de se multiplicar e persistir, mantendo o combate ao tumor por um longo período.

Os resultados clínicos são contundentes. Em pacientes com linfoma difuso de grandes células B refratário — aqueles que não respondiam a terapias convencionais —, a introdução do CAR-T elevou a sobrevida livre de progressão de 6% para 48%. Dados recentes, publicados no periódico Blood Advances, reforçam essa eficácia, mostrando que a sobrevida global em três anos saltou de 10% para 59% em comparação a grupos históricos.

O desafio do custo e a busca pela soberania tecnológica

Apesar do sucesso clínico, a barreira financeira permanece como o principal obstáculo para a disseminação do tratamento. No setor privado brasileiro, o custo total de uma terapia CAR-T oscila entre R$ 2 milhões e R$ 2,7 milhões. Esse valor é inflado pela necessidade de importar vetores virais caros e proteínas de reconhecimento derivadas de anticorpos de camundongos, além das elevadas despesas hospitalares associadas ao procedimento.

Para contornar essa dependência, o grupo de pesquisa liderado pelo INCA, Fiocruz e UnB tem focado em inovações que simplifiquem a produção. Recentemente, a equipe publicou na revista Frontiers in Immunology o desenvolvimento de dois produtos de CAR-T anti-CD19 humanizados, gerados por um sistema não viral. A estratégia visa eliminar a necessidade de componentes importados de alto custo, tornando o processo mais acessível e sustentável para o orçamento do SUS.

Perspectivas para o sistema público de saúde

A validação pré-clínica desses novos produtos marca um passo decisivo para a soberania tecnológica na saúde pública. Ao substituir insumos caros por tecnologias desenvolvidas internamente, o Brasil não apenas reduz a dependência externa, mas também cria condições para que pacientes do SUS tenham acesso a terapias de última geração que, hoje, são restritas a uma pequena parcela da população.

O desenvolvimento dessas terapias no Brasil é um movimento estratégico que coloca o país na vanguarda da biotecnologia oncológica. O sucesso dessa iniciativa pode transformar o prognóstico de milhares de brasileiros, oferecendo uma nova chance de vida onde antes havia apenas cuidados paliativos. O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos dessas pesquisas e o impacto das inovações científicas na saúde pública brasileira. Continue conosco para se manter informado sobre as principais descobertas que moldam o futuro da medicina no país.

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