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Tarifas dos EUA: Pesquisa Genial/Quaest indica Flávio Bolsonaro como culpado na visão popular

22.jun.26/Folhapress
22.jun.26/Folhapress

Um novo levantamento da Genial/Quaest, divulgado nesta quinta-feira (16), revela uma percepção marcante entre os brasileiros sobre as recentes tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos do Brasil. A maioria dos entrevistados atribui ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) uma parcela maior de culpa pelas medidas tarifárias do que ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), evidenciando a polarização política e a complexidade das relações internacionais no cenário doméstico.

A pesquisa, realizada entre 10 e 13 de julho, antes da confirmação oficial das tarifas pelo governo de Donald Trump, aponta que 51% dos eleitores concordam com a narrativa do presidente Lula, que sugere que Flávio Bolsonaro teria apoiado o “tarifaço” norte-americano com o intuito de prejudicar a gestão federal. Em contrapartida, 30% dos entrevistados se alinham à versão do senador, que nega veementemente as acusações e afirma ter solicitado a Trump que não taxasse o Brasil. Os dados sublinham a intensa disputa de narrativas que permeia o debate público e a política nacional.

A Percepção Pública e a Responsabilidade Política

A pesquisa Genial/Quaest, que ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em entrevistas domiciliares face a face, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95% (registrada no TSE sob o código BR-07181/2026), capturou o sentimento da população em um momento crucial. A decisão de Trump de acolher a recomendação do USTR (Escritório do Representante do Comércio dos EUA) e aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros foi divulgada apenas na quarta-feira (15), um dia após o término da coleta de dados, o que demonstra a relevância do tema na agenda nacional.

Mesmo antes da confirmação, 62% dos entrevistados já tinham conhecimento sobre a notícia das novas tarifas americanas, indicando um alto nível de atenção da população para questões econômicas e de comércio exterior. Essa conscientização prévia amplifica o impacto das percepções sobre a responsabilidade política.

Narrativas em Conflito: Pix vs. Declarações Anti-Americanas

O levantamento também explorou as diferentes teorias sobre a motivação das tarifas. Quase metade dos brasileiros (49%) concorda mais com a tese de Lula de que as sobretaxas são uma retaliação dos Estados Unidos ao Pix, o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. Por outro lado, cerca de um terço (33%) dos entrevistados expressou alinhamento com a visão de Flávio Bolsonaro, que argumenta que as tarifas seriam uma resposta a declarações do presidente petista consideradas anti-americanas.

No início do mês, o próprio senador Flávio Bolsonaro participou de uma audiência nos Estados Unidos, promovida pelo USTR, onde defendeu que a adoção de tarifas beneficiaria Lula e que aquele seria “o pior momento” para implementá-las. Ele também alertou que um novo tarifaço poderia aproximar o Brasil da China e fez questão de defender o Pix. Essas declarações mostram a complexidade das relações diplomáticas e comerciais, que frequentemente se entrelaçam com a política interna.

Impacto Eleitoral e Estratégias Partidárias

As tarifas americanas e a percepção de culpa têm um peso significativo nas intenções de voto. Para 42% dos entrevistados, a nova proposta de sobretaxa de Trump faz ter mais vontade de votar em Lula. Em relação a Flávio Bolsonaro, 27% responderam o mesmo, enquanto 23% indicaram outros pré-candidatos. Esses números ilustram como eventos externos e suas interpretações podem remodelar o cenário eleitoral.

A preocupação com o impacto direto das tarifas na vida cotidiana também é palpável: 63% dos brasileiros acreditam que as medidas podem prejudicar sua vida ou a de sua família, enquanto 31% afirmam que não. Essa apreensão popular é um terreno fértil para as estratégias políticas.

A Folha de S.Paulo já havia noticiado que o Partido dos Trabalhadores (PT) planeja intensificar os ataques ao adversário após a decisão do novo tarifaço. O plano é reforçar a imagem de “traidor da pátria” e martelar o termo “Tariflávio”, cunhado para associar o senador à medida. Essa movimentação demonstra a intenção de capitalizar a percepção pública desfavorável a Flávio Bolsonaro, transformando a questão econômica em uma arma eleitoral.

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