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SUS adota exame mais eficaz para rastreamento de câncer colorretal

27.nov.10/Folhapress
27.nov.10/Folhapress

O Sistema Único de Saúde (SUS) dará um passo significativo na luta contra o câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal, com a incorporação de um novo e mais eficaz exame de diagnóstico. A medida, anunciada pelo Ministério da Saúde, promete aprimorar o rastreamento da doença em milhões de brasileiros, oferecendo uma ferramenta mais precisa e acessível para a detecção precoce.

A novidade foi divulgada pelo ministro Alexandre Padilha durante um evento em Lyon, na França, que selou uma parceria estratégica entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), um órgão vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS). A expectativa é que o novo teste, o imunoquímico fecal (FIT, na sigla em inglês), esteja disponível para a população a partir do segundo semestre, marcando um avanço importante na saúde pública do país.

Avanço Tecnológico no SUS: O Teste Imunoquímico Fecal (FIT)

O teste imunoquímico fecal (FIT) representa uma modernização crucial em relação ao método atualmente empregado pelo SUS, que é a pesquisa de sangue oculto nas fezes. Com uma eficácia que varia entre 85% e 92%, o FIT se destaca por sua capacidade de detectar fragmentos de sangue nas fezes que são invisíveis a olho nu, um indicativo precoce de lesões ou tumores no intestino.

Uma das grandes vantagens do FIT é a simplicidade e a conveniência para o paciente. Diferente do exame anterior, que exigia restrições alimentares rigorosas – como evitar o consumo de alimentos vermelhos, como tomate e morango, e corantes – o novo teste não impõe qualquer tipo de dieta. Essa particularidade elimina uma das principais causas de falsos positivos e facilita a adesão da população ao rastreamento.

O ministro Alexandre Padilha ressaltou que a possibilidade de realizar a coleta do material em ambiente extra-hospitalar é fundamental para a identificação de casos assintomáticos, permitindo que o rastreamento seja feito na atenção primária. Isso significa que o paciente não precisará se deslocar a um hospital para a coleta, desburocratizando o processo e ampliando o acesso ao diagnóstico em larga escala, um benefício inestimável para um sistema de saúde de dimensões continentais como o SUS. Para mais informações sobre as iniciativas do Ministério da Saúde, acesse o portal oficial do governo.

Benefícios Ampliados: Eficácia e Acesso para Milhões

A incorporação do FIT no sistema público de saúde é vista como um divisor de águas por especialistas. Olival de Oliveira, presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), afirmou que a medida eleva significativamente a qualidade do diagnóstico do câncer de intestino no Brasil. Ele destacou que a redução do índice de falsos positivos não apenas evita preocupações desnecessárias aos pacientes, mas também otimiza os recursos do SUS, diminuindo a demanda por colonoscopias que não seriam realmente necessárias.

O câncer colorretal é uma preocupação crescente no cenário da saúde brasileira. É o segundo tipo de câncer mais comum no país, ficando atrás apenas do câncer de próstata entre os homens e do câncer de mama entre as mulheres. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) estimam que o Brasil registre cerca de 53,8 mil novos casos de câncer colorretal por ano no triênio 2026-2028. Diante desses números, a detecção precoce se torna uma arma poderosa para aumentar as chances de cura e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Estratégia Nacional Contra o Câncer Colorretal: Quem Deve Fazer o Exame?

O protocolo do Ministério da Saúde estabelece que o novo exame FIT será direcionado a homens e mulheres assintomáticos com idade entre 50 e 75 anos. Essa faixa etária é considerada o ponto de partida para o rastreamento do câncer de intestino, período em que a incidência da doença começa a aumentar de forma mais expressiva.

Para indivíduos com menos de 50 anos, o protocolo de rastreamento permanece o mesmo: a colonoscopia. Este procedimento é recomendado quando há histórico familiar de câncer colorretal ou quando o paciente apresenta sintomas da doença. Sem esses condicionantes, o rastreamento em pessoas mais jovens não é comum, pois a incidência do câncer colorretal nessa faixa etária é consideravelmente menor.

A adoção do FIT representa uma reivindicação antiga de entidades médicas, como as sociedades de proctologia e endoscopia, que há anos defendem a necessidade de um método de rastreamento mais eficiente e menos invasivo para a população. Com essa iniciativa, o SUS reforça seu compromisso com a saúde preventiva e com a oferta de tecnologias que podem salvar vidas e melhorar o bem-estar dos brasileiros.

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