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Startup brasileira inova na reciclagem de plástico industrial com redução drástica de água

Startup brasileira inova na reciclagem de plástico industrial com redução drástica de água

Tecnologia disruptiva na gestão de resíduos plásticos

A gestão de resíduos industriais acaba de ganhar um aliado estratégico com o desenvolvimento de uma tecnologia nacional capaz de transformar o cenário da reciclagem de plásticos leves. A Vaique, uma cleantech fundada no final de 2022, apresentou um método que promete reduzir em até 90% o consumo de água nos processos de reprocessamento de materiais descartados por fábricas. A inovação chega em um momento em que a indústria busca alternativas urgentes para alinhar suas operações aos critérios de sustentabilidade e economia circular.

O processo convencional de reciclagem de plásticos é historicamente intensivo em recursos, exigindo etapas complexas como lavagem, granulação, reprocessamento e peletização. Ao eliminar essas fases, a startup não apenas economiza água, mas também alcança uma eficiência energética 76% superior, além de reduzir em 85% a emissão de dióxido de carbono. O método, batizado de Loop, já teve sua patente depositada junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).

O desafio do plástico leve na economia circular

O foco da empresa recai sobre o chamado “plástico leve”, categoria que engloba desde sacolas de supermercado e embalagens de alimentos até insumos da construção civil. Segundo Isaac Jarlicht, diretor de estratégia da Vaique, esse material é frequentemente negligenciado pelo mercado de reciclagem tradicional devido à sua baixa densidade e complexidade de separação. Estima-se que apenas 9,6% desse tipo de resíduo seja efetivamente reciclado no Brasil.

A dificuldade reside no fato de que o baixo peso do material torna a logística de coleta pouco lucrativa para catadores e cooperativas. Além disso, a presença de múltiplas camadas com composições químicas distintas em um mesmo item dificulta o processamento. A solução da Vaique atua justamente na simplificação dessa cadeia, permitindo que o resíduo industrial retorne ao ciclo produtivo sem a necessidade de passar por centros de triagem convencionais.

Modelo wall-to-wall e impacto industrial

Para otimizar a operação, a startup aposta no modelo wall-to-wall, que consiste na instalação de unidades de reciclagem diretamente nas dependências das indústrias geradoras dos resíduos. Essa estratégia elimina a necessidade de transporte de longa distância, reduzindo drasticamente a pegada de carbono logística. O material processado retorna à própria empresa de origem, transformado em novos itens, como displays e bandejas de transporte.

Um exemplo prático dessa aplicação já está em curso com uma indústria de cosméticos, onde resíduos plásticos da linha de produção são convertidos em bandejas para o transporte de tampas. Embora a Vaique ainda não possua capacidade técnica para processar resíduos plásticos pós-consumo — aqueles descartados pela população em geral —, a iniciativa é um passo fundamental para evitar que o lixo industrial seja enviado para aterros sanitários ou lixões, promovendo um fechamento de ciclo mais eficiente.

Perspectivas de mercado e expansão

Com uma trajetória iniciada em 2022, a empresa projeta um crescimento ambicioso, mirando um faturamento de R$ 100 milhões nos próximos cinco anos. O otimismo é sustentado pela exclusividade da tecnologia, que, segundo Jarlicht, não encontrou similares em pesquisas realizadas em 26 países. A busca por novos clientes e a consolidação do modelo de negócio são as prioridades atuais da startup.

O avanço da Vaique reflete uma mudança de paradigma no setor industrial brasileiro, onde a sustentabilidade deixa de ser apenas uma meta de marketing para se tornar um diferencial competitivo operacional. O M1 Metrópole segue acompanhando de perto as inovações que transformam o setor produtivo e a economia verde. Continue conosco para se manter informado sobre as tendências que moldam o futuro das empresas e do meio ambiente no Brasil.

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