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Soberania digital não significa isolamento, afirma ministra Esther Dweck

Soberania digital não significa isolamento, afirma ministra Esther Dweck

O conceito de soberania digital no cenário brasileiro

A busca por uma maior autonomia tecnológica tornou-se um dos pilares centrais da gestão pública brasileira. Em entrevista ao podcast A Máquina, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, esclareceu que o conceito de soberania digital não deve ser interpretado como um movimento de autossuficiência absoluta ou isolamento tecnológico. Segundo a titular da pasta, o objetivo do governo é fortalecer a capacidade nacional de tomar decisões estratégicas, reduzindo a dependência excessiva de infraestruturas estrangeiras que podem estar sujeitas a sanções geopolíticas.

A estratégia brasileira, conforme detalhado pela ministra, estrutura-se em quatro eixos fundamentais: a soberania de dados, que garante ao Estado o controle e o acesso às informações sob sua guarda; a soberania operacional, que assegura a continuidade dos serviços públicos mesmo diante de possíveis bloqueios externos; o incentivo ao desenvolvimento tecnológico nacional; e, por fim, a governança e regulação, garantindo que o ambiente digital brasileiro opere sob as leis nacionais, e não sob jurisdições estrangeiras.

Geopolítica e a escolha de parcerias estratégicas

Um dos pontos de maior debate público envolve o posicionamento do Brasil diante das potências globais. Recentemente, o país aderiu à Waico, uma aliança de inteligência artificial liderada pela China, optando por não integrar a iniciativa Pax Silica, capitaneada pelos Estados Unidos. Dweck refutou a tese de um alinhamento automático a Pequim, reforçando que a decisão é pautada por interesses nacionais e pela busca de parcerias que viabilizem a infraestrutura necessária para a modernização do Estado.

A ministra destacou que a necessidade de soberania ficou evidente após episódios internacionais de restrição tecnológica. Casos como o bloqueio de modelos avançados de IA e a interrupção de serviços de e-mail de autoridades internacionais por empresas sob ordens executivas dos EUA serviram de alerta. Para o governo, esses eventos demonstraram que provedores de nuvem e tecnologia muitas vezes respondem às legislações de seus países de origem, e não necessariamente às necessidades dos países onde operam.

Repatriação de dados e o papel das estatais

Para colocar a estratégia em prática, o governo federal iniciou um processo de repatriação de dados governamentais, utilizando o Serpro e a Dataprev como braços executores. A medida visa garantir que informações sensíveis do Estado brasileiro estejam sob custódia direta, diminuindo riscos de acessos não autorizados ou interrupções de serviço por decisões unilaterais de empresas de tecnologia.

O processo de negociação com as big techs trouxe resultados práticos. Dweck mencionou que, após a Huawei aceitar as condições impostas pelo governo brasileiro para a repatriação, as demais empresas americanas provedoras de nuvem também cederam e passaram a adequar seus serviços para atender às exigências de soberania do Brasil. Esse movimento demonstra, segundo a ministra, que o mercado reconhece a importância de se adaptar às normas locais para manter a operação em um país com a dimensão digital brasileira.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos da política de transformação digital do governo e os impactos da regulação tecnológica na vida dos brasileiros. Continue conosco para se manter informado sobre os temas que moldam o futuro do país, com a profundidade e a credibilidade que você exige.

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