O parque de diversões Six Flags Magic Mountain, localizado na Califórnia, Estados Unidos, anunciou em 29 de setembro o fechamento definitivo de sua renomada montanha-russa X2. A decisão, que repercute no setor de entretenimento, veio após mais de uma centena de passageiros relatarem ter sofrido lesões cerebrais severas depois de utilizar a atração. Desde julho de 2026, o brinquedo já estava inoperante, mas a oficialização de sua desativação permanente intensifica o debate sobre a segurança em parques temáticos.
A controvérsia em torno da X2 e as denúncias de lesões
Conhecida por seus assentos que giravam 360 graus, a montanha-russa X2 era uma das atrações mais procuradas do Six Flags Magic Mountain, atraindo filas consideráveis. Apesar de o parque ter afirmado que a montanha-russa havia sido aprovada em uma série de testes de segurança, a administração decidiu pela desativação definitiva, classificando-a como “a coisa certa a fazer” diante da situação.
A medida, contudo, foi considerada tardia por escritórios de advocacia que representam as vítimas. O Dordick Law Corporation, por exemplo, revelou ter sido procurado por cerca de 400 pessoas que associam suas lesões cerebrais à experiência na atração. Segundo o escritório, muitos buscaram a emoção da X2 e acabaram com danos graves, alguns exigindo cirurgias cerebrais de emergência e outros ainda lutando para retomar suas vidas.
Brian Oerding, presidente do Six Flags Magic Mountain, reforçou o compromisso do parque com a segurança. “A segurança das atrações é um dos pilares do nosso negócio, e levamos a sério qualquer abalo na confiança dos visitantes”, declarou Oerding no anúncio do fechamento.
Histórico de falhas e a morte de Christopher Hawley
A trajetória da montanha-russa X2 não foi isenta de problemas. Inaugurada em 2002 sob o nome de X, a atração foi fechada poucos meses depois para correções em seu projeto original, conforme noticiado pelo Los Angeles Times. Em 2007, uma nova interrupção ocorreu para a substituição dos trens por modelos mais leves, reabrindo no ano seguinte já rebatizada como X2.
Desde sua reabertura como X2, a montanha-russa recebeu mais de 16 milhões de visitantes, um número que ressalta sua popularidade e, ao mesmo tempo, a gravidade das denúncias. Para a família de Christopher Hawley, um jovem de 22 anos que faleceu em 2022 após andar na X2, o fechamento da atração é um alívio, mas não atenua a dor da perda.
O advogado Brent Wisner, do escritório Wisner Baum LLP, que representou a família Hawley, afirmou que a tragédia é irreversível e criticou a demora da empresa em agir. “Isso não muda o fato de que Christopher morreu por causa de uma montanha-russa perigosa que continuou em funcionamento por quase duas décadas”, pontuou Wisner, defendendo a necessidade de mudanças legislativas e fiscalização rigorosa para evitar novos casos. Um acordo foi fechado entre a família e o parque em agosto de 2026.
O debate sobre segurança de brinquedos radicais no Brasil
A repercussão do caso Six Flags na Califórnia reacende um debate crucial sobre a segurança de brinquedos radicais em parques de diversões, inclusive no Brasil. Um episódio recente que trouxe essa discussão à tona no país foi o de Júlia Bossoni, de 28 anos, que pode ter sofrido traumatismo craniano após uma experiência na montanha-russa Montezum, do parque Hopi Hari, em Vinhedo, interior de São Paulo.
O incidente com Júlia ocorreu em abril de 2026. Após uma segunda volta na atração, a jovem retornou à plataforma desacordada e com convulsões. Ela permaneceu internada por 57 dias, passou por sete cirurgias e sofreu a perda parcial de movimentos, um desdobramento devastador que ilustra os riscos potenciais associados a essas atrações.
Um laudo médico, citado pela família em veículos de imprensa, indicou que a lesão de Júlia foi causada por um “mecanismo de contragolpe”. Esse fenômeno ocorre quando movimentos bruscos e intensos do brinquedo fazem o cérebro colidir com a parede interna do crânio, provocando uma lesão no lado oposto ao impacto, mesmo sem uma pancada direta na cabeça.
A investigação do caso Hopi Hari e o parecer do MP
O caso de Júlia Bossoni está sob investigação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo, que buscam esclarecer as circunstâncias do ocorrido e determinar possíveis responsabilidades. Enquanto isso, o Hopi Hari defende a segurança de sua atração, afirmando que a Montezum possui certificação internacional, é submetida a inspeções periódicas e segue rigorosamente as normas de segurança vigentes.
Em nota enviada ao programa Fantástico, da TV Globo, o parque destacou que a Montezum é a atração mais visitada, com aproximadamente 470 mil pessoas em 2026. Além disso, o Hopi Hari ressaltou que o Ministério Público emitiu um parecer em agosto de 2026, enfatizando a ausência de risco coletivo, defeito no projeto da montanha-russa ou qualquer negligência por parte do parque.
Apesar das diferentes conclusões e contextos, ambos os casos – o da X2 nos Estados Unidos e o da Montezum no Brasil – sublinham a importância de uma vigilância contínua e de regulamentações eficazes para garantir que a busca por adrenalina nos parques de diversões não se transforme em risco à saúde e à vida dos visitantes. A segurança deve ser sempre a prioridade máxima, e as empresas do setor, juntamente com as autoridades, têm um papel fundamental em assegurá-la.
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