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Segurança de SP revisa protocolos após mortes de pessoas em surto por policiais

Segurança de SP revisa protocolos após mortes de pessoas em surto por policiais
Foto: Reprodução

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo convocou uma reunião de emergência com a cúpula da Polícia Militar (PM) para discutir a revisão dos protocolos de abordagem e a ampliação do uso de armamentos não letais. A medida ocorre após uma sequência de três mortes de pessoas em possível surto psicótico, ocorridas em um intervalo de pouco mais de uma semana, que geraram forte repercussão pública e críticas de especialistas sobre o preparo da corporação para lidar com crises de saúde mental.

Revisão de protocolos e uso de armas de choque

O encontro, que reúne o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico, o secretário executivo, coronel Henguel, e a comandante-geral da PM, coronel Glauce Anselmo Cavalli, marca o início de uma análise profunda sobre o Procedimento Operacional Padrão (POP). O objetivo é modernizar as normas, que datam de 2014, e intensificar o treinamento dos agentes para situações que exigem mediação, em vez de força letal.

Um dos pilares da discussão é a aquisição de mais 6 mil armas de choque, conhecidas como Taser. Atualmente, a PM paulista conta com cerca de 11 mil desses dispositivos. Contudo, a eficácia do equipamento tem sido questionada, uma vez que, nos três casos recentes, os policiais possuíam o recurso, mas optaram pelo uso de armas de fogo em duas das ocorrências, resultando em óbitos.

Casos recentes sob investigação

A série de episódios fatais expôs falhas operacionais graves. Em 3 de outubro, Antonio Nunes Batista, de 40 anos, foi morto na Zona Norte após um suposto surto psicótico. Apesar de relatos de que os agentes tentaram usar a arma de choque, o desfecho foi fatal. Poucos dias depois, em 10 de outubro, Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi atingido por 27 dos 45 disparos efetuados por policiais em Moema, na Zona Sul. O jovem segurava um celular, que foi confundido com uma arma.

O caso mais recente ocorreu em 15 de outubro, quando Camila Pereira da Silva, de 32 anos, foi morta após ser baleada no peito por um policial no Parque São Domingos. O soldado envolvido foi preso em flagrante por homicídio, com o delegado responsável classificando a ação como desproporcional. A defesa do agente alega que a prisão possui motivações políticas, enquanto o caso segue sob investigação do DHPP e da Corregedoria da PM.

Desafios na formação policial e uso da força

O protocolo atual da PM já estabelece o uso progressivo da força, priorizando a negociação e o apoio de equipes especializadas ou familiares em casos de transtorno mental. No entanto, a prática tem se mostrado distante da teoria. Especialistas em segurança pública apontam que o treinamento atual é insuficiente para que o policial consiga discernir entre uma ameaça real e um comportamento decorrente de crise emocional.

A proposta que será levada ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) busca integrar novos métodos de formação, ouvindo especialistas da área da saúde e direitos humanos. A expectativa é que a gestão estadual consiga equilibrar a segurança pública com a preservação da vida, evitando que abordagens de rotina ou de auxílio a pessoas vulneráveis terminem em tragédias evitáveis.

O portal M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos desta reunião e as futuras mudanças nos protocolos da Polícia Militar. Continue conosco para se manter informado sobre as decisões que impactam a segurança e a sociedade paulista.

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