PUBLICIDADE

Sede faraônica e lavagem de dinheiro: os planos do grupo de Beto Louco e Primo

Sede faraônica e lavagem de dinheiro: os planos do grupo de Beto Louco e Primo
Foto: Reprodução

O projeto de expansão e a mira do Ministério Público

A investigação da Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, revelou detalhes de um projeto ambicioso que pretendia transformar o Grupo Itajobi em uma potência do setor sucroenergético no interior paulista. No centro da trama estão Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo. Ambos são apontados pelas autoridades como os arquitetos de um esquema criminoso que operava no setor de combustíveis e que, segundo os promotores, utilizava recursos ilícitos para financiar uma expansão desproporcional.

O símbolo desse projeto seria a construção de uma sede corporativa em Catanduva, descrita pelo Ministério Público como uma obra de dimensões “faraônicas”. O plano previa a edificação de um prédio de três pavimentos, totalizando 6.733,36 m² de área construída em um terreno de aproximadamente 10 mil m². Para os investigadores, a magnitude do empreendimento não era apenas uma escolha arquitetônica, mas uma forma de consolidar o poder do grupo e lavar valores obtidos através de fraudes fiscais que, estima-se, geraram mais de R$ 1 bilhão em impostos devidos.

A engenharia financeira por trás da aquisição

A aquisição dos terrenos, realizada em outubro de 2023, tornou-se um dos pontos centrais da denúncia. O valor de R$ 3,9 milhões foi movimentado de forma atípica, segundo o MP. O dinheiro teria saído da conta da Aster Petróleo e percorrido cinco contas intermediárias — SM Serviços, HIMAD, INSIGHT e STRUCTURA — até chegar à RGP Property em um intervalo de apenas oito minutos. Para os promotores, essa manobra teve o único objetivo de ocultar a origem dos recursos e distanciar os verdadeiros beneficiários da propriedade dos imóveis.

Apesar de os terrenos estarem formalmente registrados em nome de uma empresa que integrava a estrutura do Fundo Pompeia, o pedido de alvará apresentado à Prefeitura de Catanduva em janeiro de 2024 identificava claramente a Usina Itajobi como a responsável pelo futuro escritório corporativo. Essa dissociação entre a propriedade formal e o uso prático do bem é, segundo o Ministério Público, uma marca registrada do esquema para blindar o patrimônio contra eventuais bloqueios judiciais.

Contexto de fraudes e repercussão jurídica

A denúncia detalha que o dinheiro utilizado para financiar a “sede faraônica” provinha de uma complexa estrutura de fraude fiscal estruturada. O grupo simulava importações para sonegar tributos e lucrava com crimes contra o consumidor, como a venda de combustíveis adulterados. Para escoar esses valores, os investigados utilizavam desde empresas de fachada em nome de laranjas até sofisticados fundos de investimento, buscando camuflar o fluxo financeiro perante o Sistema Financeiro Nacional.

Em nota, a defesa de Mohamad Hussein Mourad classificou a denúncia como uma “estratégia de especulação” e afirmou que o documento não aponta com clareza o crime antecedente que justificaria a acusação de lavagem de dinheiro. Por sua vez, a defesa de Roberto Leme da Silva declarou que provará a improcedência das acusações no curso do processo, alegando nulidades no procedimento que tramita na Justiça Estadual. O Ministério Público, contudo, mantém o pedido de perdimento dos terrenos e da construção vinculada ao alvará.

Acompanhe o M1 Metrópole

O caso da Operação Carbono Oculto segue em desdobramento e o M1 Metrópole continua monitorando as movimentações judiciais e as respostas das defesas dos envolvidos. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística séria, aprofundada e contextualizada sobre os temas que impactam a economia e a segurança pública no país. Continue acompanhando nosso portal para atualizações sobre este e outros desdobramentos relevantes da política e do judiciário brasileiro.

Para mais detalhes sobre as investigações, consulte a fonte oficial em g1.globo.com.

Leia mais

PUBLICIDADE