O renomado líder indígena Raoni Metuktire, de 94 anos, foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Paulo (HSP/Unifesp), onde está internado desde 19 de junho. A medida, anunciada em boletim médico na terça-feira (30), ocorreu após a identificação de um pneumotórax no pulmão direito do cacique, que foi prontamente drenado sem intercorrências.
A saúde de Raoni, figura emblemática na defesa da Amazônia e dos povos indígenas, tem sido acompanhada de perto por sua comunidade e por observadores nacionais e internacionais. A internação atual é mais um capítulo em um histórico de desafios de saúde enfrentados pelo líder, que, apesar da idade avançada, mantém sua lucidez e sua luta.
O quadro clínico atual de Raoni Metuktire
A transferência para a UTI foi uma precaução necessária diante da complexidade do quadro. Além do pneumotórax, que é o acúmulo de ar no espaço entre o pulmão e a parede torácica, o cacique apresentou uma hemorragia digestiva alta na última segunda-feira (29). Uma endoscopia de emergência foi realizada, revelando sangramento ativo no estômago e no duodeno, que foi controlado com sucesso pela equipe médica.
Apesar dos desafios, o boletim médico mais recente trouxe notícias encorajadoras. Raoni permanece consciente, respondendo a comandos e apresentando um quadro estável. Ele respira em ar ambiente, sem necessidade de suporte ventilatório, e evolui sem febre, indicando uma resposta positiva aos tratamentos. A equipe do Hospital São Paulo informou que uma nova atualização sobre seu estado de saúde será divulgada na tarde da próxima quinta-feira (2) ou antes, caso haja alterações significativas.
A trajetória de internações e a saúde do líder indígena
A atual internação de Raoni Metuktire no Hospital São Paulo teve início em 19 de junho, quando ele deu entrada com um quadro de obstrução intestinal alta e pneumonia aspirativa. No dia seguinte, 20 de junho, o cacique foi submetido a uma cirurgia para desobstrução e manutenção do trânsito intestinal, um procedimento delicado que visava restaurar a função digestiva.
Este não é o primeiro desafio de saúde enfrentado por Raoni nos últimos anos. Em maio deste ano, ele foi internado em Mato Grosso devido a fortes dores abdominais causadas por uma hérnia antiga. Recebeu alta em apenas dois dias, mas logo precisou retornar à UTI para tratar um quadro de pneumonia. O líder indígena convive com múltiplas comorbidades, incluindo Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), uma cardiopatia que exigiu o implante de um marcapasso e insuficiência cardíaca, condições que demandam acompanhamento médico constante.
Em setembro de 2022, Raoni já havia passado cinco dias internado no hospital de Sinop, após ser diagnosticado com um problema cardíaco e ser submetido à cirurgia para o implante do marcapasso. Após a alta, permaneceu alguns dias no município de Colíder antes de retornar à sua aldeia. Em julho de 2020, o cacique foi hospitalizado em Colíder com complicações gastrointestinais e desidratação, sendo transferido de avião para Sinop. Meses depois, em setembro do mesmo ano, foi novamente internado com pneumonia, diagnosticada pela equipe médica de sua aldeia, no Parque Indígena do Xingu. Naquele período, Raoni também enfrentou um quadro depressivo após a perda de sua esposa, Bekwyjkà Metuktire, um golpe emocional que se somou aos desafios físicos.
A importância de Raoni Metuktire para o Brasil e o mundo
A saúde de Raoni Metuktire transcende a esfera pessoal, tornando-se um tema de interesse público devido à sua estatura como um dos mais proeminentes defensores da Amazônia e dos direitos dos povos indígenas. Conhecido internacionalmente por seu cocar de penas amarelas e o botoque labial, Raoni tem dedicado sua vida à proteção das florestas e à denúncia das ameaças que pairam sobre os territórios indígenas, como o desmatamento, a mineração ilegal e a invasão de terras.
Sua voz ressoa em fóruns globais, onde ele se encontra com chefes de estado e personalidades influentes para advogar pela causa ambiental e pelos direitos de seu povo. A cada internação, a preocupação com seu bem-estar se espalha, refletindo o reconhecimento de seu papel insubstituível na luta por um futuro mais justo e sustentável. Sua resiliência diante dos desafios de saúde é um testemunho de sua força e determinação, características que o tornaram um símbolo de resistência e esperança para milhões. Para mais informações sobre a saúde indígena no Brasil, saiba mais sobre a saúde indígena no Brasil.
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