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Propostas para o SUS convergem entre conselheiros de Lula e Flávio Bolsonaro

Propostas para o SUS convergem entre conselheiros de Lula e Flávio Bolsonaro
Ueslei Marcelino - 10.mai.21/Reuters

Em um cenário de disputa eleitoral, os planos para a saúde pública brasileira revelam pontos de convergência inesperados. Representantes das campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram, nesta terça-feira (8), diretrizes para o Sistema Único de Saúde (SUS) que, embora partam de espectros políticos distintos, compartilham metas estratégicas para o futuro do setor até 2030.

Convergência em tecnologia e gestão

O ministro Alexandre Padilha, representando a candidatura de Lula, e o médico Cláudio Lottenberg, indicado por Flávio Bolsonaro para assumir a pasta em um eventual governo, defenderam o fortalecimento da produção nacional de insumos e medicamentos. Ambos os lados também concordam com a necessidade de modernizar o modelo de remuneração da rede pública.

A proposta em comum é transitar do pagamento por procedimento isolado para um sistema baseado no desfecho clínico do paciente. Além disso, a integração de dados da rede pública e o uso de novas tecnologias foram apontados como pilares essenciais para otimizar o atendimento e reduzir desperdícios de recursos públicos.

Visões sobre o futuro da rede pública

Cláudio Lottenberg adotou um tom conciliador ao descrever o SUS como uma estrutura vitoriosa que necessita de aperfeiçoamento, e não de uma reforma estrutural profunda. O médico destacou o potencial da inteligência artificial para organizar filas de transplantes e a importância de utilizar o mapeamento genético da população brasileira para evitar gastos ineficientes com medicamentos baseados em dados estrangeiros.

Por outro lado, Alexandre Padilha enfatizou a continuidade de programas em curso, como o Agora Tem Especialistas, que busca consolidar o pagamento por pacotes de cuidado integral. O ministro também mencionou a expansão de unidades móveis para regiões remotas e a incorporação definitiva de tecnologias como as canetas emagrecedoras ao rol de atendimento do sistema.

Divergências e histórico político

Apesar da sintonia técnica em diversos pontos, o embate político se manifestou na postura de cada conselheiro. Padilha aproveitou a oportunidade para criticar a gestão de Jair Bolsonaro (PL), citando cortes em programas como o Farmácia Popular e a postura do governo anterior em relação às campanhas de vacinação. Lottenberg, contudo, evitou ataques diretos à gestão petista, reconhecendo que parte de suas propostas dialoga com iniciativas já implementadas pelo atual ministério.

A relação entre os dois nomes é marcada por um histórico de cordialidade. Interlocutores lembram que Lottenberg chegou a ser cotado para compor a chapa de Padilha na disputa pela prefeitura de São Paulo em 2014. O evento, organizado pelo canal Amado Mundo, permitiu que cada representante detalhasse suas propostas durante 20 minutos, sem que houvesse debate direto entre os dois.

O debate sobre o futuro da saúde pública segue como um dos eixos centrais para o eleitorado. Continue acompanhando o M1 Metrópole para análises aprofundadas sobre os planos de governo, o impacto das políticas públicas na sua região e as atualizações diárias que moldam o cenário nacional. Nosso compromisso é levar até você uma informação plural, checada e contextualizada.

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