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Proposta de flávio bolsonaro para o SUS é criticada por especialistas

Proposta de flávio bolsonaro para o SUS é criticada por especialistas
Fernando Frazão - 11.jul.25/Agência Brasil

A declaração do senador Flávio Bolsonaro sobre adotar no SUS o modelo de atendimento de um hospital de referência privada gerou forte reação entre especialistas em saúde pública. Durante o debate da TV Band, realizado no último domingo (18), o candidato à Presidência da República afirmou que pretende transformar o sistema público em um padrão de excelência semelhante ao do Einstein Hospital Israelita, sem detalhar como realizaria tal transição.

Especialistas apontam que a promessa desconsidera as dimensões e as obrigações constitucionais do sistema brasileiro, que atende a centenas de milhões de cidadãos em todo o território nacional. A equipe de campanha do político foi procurada por meio da assessoria de imprensa nas datas de segunda (19), quarta (21) e quinta-feira (22), mas não retornou aos contatos da reportagem para esclarecer os pontos da medida.

A viabilidade técnica e as diferenças estruturais

O Einstein Hospital Israelita figura frequentemente entre as principais instituições de saúde do país, recebendo prêmios de qualidade e gestão. No entanto, analistas destacam que a operação de uma rede privada de alta complexidade difere drasticamente das diretrizes de universalidade e gratuidade que sustentam a rede pública brasileira.

Para o sanitarista Gonzalo Vecina Neto, fundador e primeiro presidente da Anvisa e um dos idealizadores do SUS, a promessa carece de embasamento prático e serve principalmente como um aceno político para a expansão de privatizações e concessões no setor. A avaliação técnica é de que transpor um modelo de atendimento restrito para uma estrutura pública gigantesca é inviável sem considerar as profundas discrepâncias de financiamento e logística.

O debate sobre recursos financeiros e gestão

A discussão ganhou novos desdobramentos após a circulação de um vídeo envolvendo o médico Cláudio Lottenberg, cotado para assumir o Ministério da Saúde em um eventual governo do candidato do PL. Na gravação resgatada por críticos, o médico afirmava que o sistema público não necessitaria de injeção de novos aportes financeiros, mas sim de uma otimização na forma como o orçamento atual é alocado.

Procurado para esclarecer o posicionamento, Cláudio Lottenberg declarou que o trecho foi divulgado de forma fragmentada nas redes sociais. O médico reforçou seu compromisso com a garantia constitucional do atendimento universal, argumentando que a transformação defendida por ele diz respeito estritamente à gestão de processos e à eficiência do cuidado ao paciente, mantendo a responsabilidade central nas mãos do poder público.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos das propostas de governo para a área da saúde e os debates entre os candidatos. Continue navegando pelo portal para ler análises aprofundadas, reportagens especiais e cobertura completa sobre os temas mais relevantes do cenário nacional, sempre com compromisso com a veracidade dos fatos.

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