A resistência masculina em procurar atendimento médico preventivo é um desafio persistente na saúde pública brasileira. Muitos homens adiam a busca por auxílio profissional até que os sintomas se tornem insuportáveis ou as doenças já estejam em estágio avançado. Em um contexto onde a prevenção é a chave para uma vida mais longa e saudável, o Dia do Homem, celebrado em 15 de julho, surge como um lembrete crucial para a população masculina sobre a necessidade de cuidar da própria saúde.
Entender quais especialistas procurar em cada etapa da vida é fundamental para identificar precocemente condições de saúde, minimizar riscos e garantir um bem-estar integral. Este guia do M1 Metrópole explora a jornada do cuidado masculino, desmistificando barreiras e oferecendo um panorama completo para que os homens assumam o protagonismo de sua saúde.
A barreira cultural na busca por saúde
A psicóloga Priscila Maria Gabos, do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, aponta que a relutância masculina em buscar um médico está mais ligada a fatores culturais do que à falta de informação. Modelos tradicionais de masculinidade, que incentivam a crença de que homens devem suportar a dor e resolver problemas sozinhos, contribuem para a minimização de sintomas físicos e emocionais.
Essa postura pode atrasar diagnósticos cruciais, reduzir as chances de prevenção eficaz e, consequentemente, agravar o risco de complicações. Gabos ressalta que associar vulnerabilidade à fraqueza é uma falsa premissa. Do ponto de vista psicológico, reconhecer limites, expressar emoções e procurar apoio são, na verdade, habilidades essenciais de autocuidado e maturidade emocional.
A saúde, conforme explica a psicóloga, transcende a mera ausência de doença, englobando o bem-estar físico, emocional e social. Isso implica na adoção de uma rotina que inclua consultas preventivas, atividade física regular, sono adequado, alimentação equilibrada, manutenção de vínculos sociais positivos e estratégias eficazes para lidar com o estresse do dia a dia. A naturalização da busca por ajuda e dos cuidados preventivos é um caminho para uma maior adesão masculina e, consequentemente, para uma vida mais longa e plena.
Acompanhamento preventivo: da infância à adolescência
O cuidado com a saúde masculina deve começar cedo, ainda na infância, e estender-se por toda a vida, sempre com foco na prevenção e adaptado às necessidades individuais. A médica de família Rosana Castello Branco, do Hospital São Domingos, em São Luís (MA), enfatiza a importância desse acompanhamento contínuo.
Na infância, o pediatra é o primeiro e mais importante contato. Além de monitorar o crescimento e desenvolvimento, o profissional avalia aspectos cruciais como higiene, saúde bucal, desenvolvimento motor e emocional, maturação sexual e o calendário vacinal. Alterações como fimose ou problemas testiculares exigem intervenção precoce, e o pediatra é fundamental para o encaminhamento adequado.
Com a chegada da adolescência, o urologista passa a ser um especialista essencial. Ricardo Ferro, coordenador da Urologia do Hospital Brasília, da Rede Américas, recomenda que o primeiro contato com esse profissional ocorra entre os 12 e 18 anos. Nesta fase, o urologista pode oferecer orientações valiosas sobre infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), higiene íntima, sexualidade e autocuidado, além de acompanhar o desenvolvimento puberal. Este acompanhamento inicial estabelece uma base para a saúde reprodutiva e urinária futura.
Saúde do homem adulto: desafios e cuidados contínuos
À medida que o homem avança para a vida adulta, a complexidade dos cuidados de saúde aumenta, exigindo uma abordagem mais abrangente. O clínico geral ou médico de família continua sendo o ponto de partida, coordenando o cuidado e realizando exames de rotina para monitorar pressão arterial, colesterol, glicemia e outros indicadores de saúde.
Entre os 20 e 39 anos, o foco está na manutenção de hábitos saudáveis e na prevenção de doenças crônicas que podem surgir mais tarde. Exames de sangue periódicos, controle do peso e a prática regular de exercícios são recomendados. A saúde mental também ganha destaque, com a importância de buscar apoio psicológico ou psiquiátrico em casos de estresse, ansiedade ou depressão, condições que afetam homens em todas as idades.
A partir dos 40 anos, a atenção se volta para a prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e, principalmente, o câncer de próstata. O urologista deve ser consultado anualmente para exames de rastreamento, como o toque retal e o exame de PSA (Antígeno Prostático Específico), especialmente se houver histórico familiar da doença. Cardiologistas podem ser indicados para avaliação de risco cardiovascular, enquanto endocrinologistas auxiliam no controle hormonal e metabólico.
Para homens acima dos 50 anos, a gama de cuidados se expande. Além dos exames de próstata e cardiovasculares, a colonoscopia é recomendada para rastreamento de câncer colorretal. A saúde óssea, a função renal e a visão também entram no radar. Geriátras podem oferecer um acompanhamento multidisciplinar, gerenciando múltiplas condições crônicas e focando na qualidade de vida e na autonomia do idoso. A manutenção de uma vida social ativa e a busca por atividades que estimulem a mente são igualmente importantes para o bem-estar geral.
Desmistificando o autocuidado: um esforço coletivo
A mudança na percepção da saúde masculina não é apenas uma responsabilidade individual, mas um esforço coletivo que envolve a sociedade, as instituições de saúde e as famílias. Campanhas de conscientização, como o Novembro Azul, têm sido cruciais para quebrar tabus e incentivar a prevenção, mas o trabalho precisa ser contínuo e contextualizado.
A família e os parceiros desempenham um papel vital ao encorajar os homens a buscarem ajuda, oferecendo apoio e desconstruindo a ideia de que cuidar da saúde é sinal de fraqueza. Ao naturalizarmos a busca por ajuda e os cuidados preventivos, não apenas aumentamos a adesão dos homens aos tratamentos, mas também contribuímos para uma população masculina mais saudável e com maior longevidade, impactando positivamente a economia e a qualidade de vida em nível nacional.
A saúde do homem é um pilar fundamental para o desenvolvimento social e individual. Investir em prevenção e acompanhamento médico em todas as fases da vida é um ato de responsabilidade e amor-próprio. Para mais informações sobre saúde e bem-estar, continue acompanhando o M1 Metrópole, seu portal de notícias comprometido com informação relevante, atual e contextualizada para você e sua família. Acesse o portal do Ministério da Saúde para mais dicas e orientações.