Definição de identidade política e referências liberais
Em entrevista concedida ao programa Mathias TV nesta quinta-feira (20), o deputado federal Ricardo Salles (Novo), pré-candidato ao Senado por São Paulo, delineou os pilares de sua atuação política. O parlamentar posicionou-se como um representante da direita que une o liberalismo econômico ao conservadorismo nos costumes. Segundo Salles, seu modelo de gestão busca a redução do tamanho do Estado, o corte na carga tributária e o incentivo ao empreendedorismo.
Ao distanciar-se de vertentes militares históricas, Salles buscou inspiração em figuras como o economista Roberto Campos e líderes internacionais, citando Ronald Reagan, Margaret Thatcher e Winston Churchill. O deputado enfatizou que sua visão de direita não é antidemocrática nem estatizante. “Essa é a minha direita, uma direita que se inspira no que foi um governo olhando para fora”, afirmou o parlamentar durante a transmissão.
Críticas ao cenário eleitoral e ao PL
A corrida pelo Senado em São Paulo foi alvo de duras críticas por parte de Salles, que questionou a legitimidade de seus adversários. O deputado atacou as senadoras Simone Tebet (MDB-MS) e Marina Silva (Rede-SP), classificando-as como oportunistas e integrantes da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que, segundo ele, desconhecem a realidade paulista.
O parlamentar também reservou críticas severas ao presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL). Salles rotulou Prado como um “filhote de Valdemar da Costa Neto” e questionou o histórico político do dirigente, apontando alianças passadas com o PT e outros partidos de centro. Para Salles, a estrutura do PL estaria dominada por uma lógica de ocupação de cargos e emendas, o que ele define como o “modus do Valdemar”.
Posicionamento sobre o 8 de janeiro e anistia
Ao abordar os eventos de 8 de janeiro de 2023, Salles classificou os ataques às sedes dos Três Poderes como “uma baderna” e um ato “inaceitável para um país de direita”. Contudo, o deputado rejeitou a tese de tentativa de golpe de Estado. Em sua análise, as penas aplicadas aos envolvidos, como no caso de Débora Rodrigues dos Santos, seriam desproporcionais.
Salles defendeu a concessão de anistia aos condenados pelos atos, argumentando que a medida serviria para “apaziguar o país”. O deputado expressou surpresa pelo fato de o presidente Lula não ter adotado tal postura, mencionando que a pacificação teria sido uma promessa de campanha do petista. O parlamentar também aproveitou para rebater acusações passadas relativas à operação Akuanduba, afirmando que os processos sobre exportação de madeira foram julgados improcedentes e que ele foi alvo de uma “indústria de bravata”.
Perspectivas para a disputa ao Senado
Apesar das críticas à cúpula do PL, Salles demonstrou apreço por outros nomes do campo conservador, como o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PL). O deputado afirmou que, caso o eleitorado de direita precise escolher dois nomes para o Senado, a opção por ele e Derrite seria a mais coerente com o espectro político que defende.
Salles justificou sua candidatura ao Senado como uma necessidade de dar voz a São Paulo em Brasília, estado que, na sua visão, é tratado como “o último vagão do trem”. O parlamentar reforçou que, embora pudesse buscar a reeleição para a Câmara dos Deputados com facilidade, optou pelo desafio majoritário por considerar que o estado está mal representado no cenário nacional. Para acompanhar os desdobramentos desta disputa e outras análises sobre o cenário político brasileiro, continue acompanhando o M1 Metrópole, seu portal de referência em informação qualificada e atualizada.