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Alerta no prato: queijo falso em pizzas engana consumidores e acende debate sobre ética

Marcos Nogueira /Folhapress
Marcos Nogueira /Folhapress

A busca por preços competitivos no mercado de alimentos, especialmente em itens de consumo massivo como a pizza, tem levado algumas pizzarias a adotar práticas questionáveis que enganam o consumidor. Um truque que se tornou comum e tem gerado repercussão é a utilização de um composto sintético, popularmente conhecido como “queijo falso”, misturado ou substituindo a tradicional muçarela, sem o devido conhecimento do cliente.

Recentemente, um vídeo viral no Instagram, que alcançou centenas de milhares de compartilhamentos, trouxe à tona essa realidade. Nele, o consultor de negócios Marcelo Baccarini expôs a estratégia utilizada por estabelecimentos para baratear custos e, consequentemente, aumentar a margem de lucro, à custa da autenticidade do produto oferecido.

A composição do “queijo falso” e a dificuldade de detecção

O produto em questão, vendido livremente em plataformas B2B (business to business), é uma maçaroca sintética que, apesar de se assemelhar visualmente à muçarela, possui uma composição química bastante distinta. Longe de ser um derivado lácteo genuíno, sua fórmula é baseada em ingredientes como água (o principal componente), gordura de palma fracionada, amido modificado e caseína (uma proteína láctea).

Além desses, uma série de aditivos químicos como citrato trissódico, hidrogenofosfato de sódio, polifosfato de sódio e trifosfato pentapotássico completam a lista de “tranqueiras químicas”, como descritas por especialistas. Essa mistura é projetada para mimetizar as características da muçarela real, derretendo perfeitamente e alterando minimamente o sabor da pizza, o que torna a fraude quase imperceptível para o consumidor comum.

Os fabricantes recomendam que essa substância seja misturada à muçarela em proporções que variam de 30% a 50%. No entanto, relatos indicam que algumas pizzarias chegam a usar até 70% desse composto para “batizar” o queijo, vendendo a pizza como se fosse integralmente de muçarela. Obviamente, nenhum estabelecimento anunciaria uma “pizza de cobertura sabor muçarela”, o que configuraria uma enganação descarada.

O dilema ético e a proteção do consumidor

Embora a venda do “queijo de araque” em si não seja ilegal, desde que devidamente rotulado para o mercado B2B, seu uso sorrateiro em produtos finais sem a informação clara ao consumidor é considerado uma prática escandalosamente imoral. O Código de Defesa do Consumidor (CDC) é claro ao prever que o cliente tem direito à informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço.

A falta de transparência sobre a composição da pizza impede o consumidor de fazer uma escolha informada. Ele paga por um produto que acredita ser de muçarela, mas recebe algo com ingredientes de menor valor nutricional e, muitas vezes, de qualidade inferior. A desconfiança gerada por preços muito baixos pode ser um indício, mas não há garantia de que espertalhões não vendam caro uma pizza “malhada”, aumentando ainda mais o engodo.

A situação é diferente de quando se compra um substituto de queijo no supermercado, onde os ingredientes estão na embalagem, mesmo que a nomenclatura tente disfarçar a real natureza do produto. Quando esses compostos entram de forma oculta na pizza ou em outros alimentos processados, a prática se configura como uma enganação direta, lesando a confiança e o direito do consumidor.

Repercussão e a busca por autenticidade na gastronomia

A exposição de casos como o do “queijo falso” tem um impacto significativo na percepção pública sobre a qualidade e a autenticidade dos alimentos. Em um cenário onde a gastronomia e a alimentação saudável ganham cada vez mais destaque, a demanda por ingredientes verdadeiros e processos transparentes cresce. Consumidores estão mais atentos e dispostos a questionar a origem e a composição do que consomem.

A repercussão em redes sociais e a viralização de vídeos como o de Marcelo Baccarini servem como um alerta não apenas para os consumidores, mas também para os próprios estabelecimentos. A reputação de uma pizzaria, construída com anos de trabalho, pode ser seriamente abalada por práticas antiéticas, levando à perda de clientes e à desvalorização da marca. O mercado, cada vez mais competitivo, exige não apenas preço, mas também qualidade e, acima de tudo, honestidade.

O papel da fiscalização e a responsabilidade do setor

Diante de práticas como a do “queijo falso”, a atuação de órgãos de fiscalização como o Procon e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) torna-se crucial. É fundamental que haja uma vigilância constante sobre a rotulagem e a composição dos produtos oferecidos ao público, garantindo que as informações sejam claras e que as empresas cumpram as normas de defesa do consumidor.

A responsabilidade, contudo, não recai apenas sobre os órgãos reguladores. O próprio setor de pizzarias e restaurantes precisa se autorregular, promovendo a ética e a transparência como pilares de seu negócio. Investir em ingredientes de qualidade e comunicar abertamente sobre a composição dos pratos não é apenas uma obrigação legal, mas uma estratégia para construir confiança e fidelizar clientes em um mercado cada vez mais exigente.

Para mais informações sobre fraudes alimentares e direitos do consumidor, clique aqui.

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