A convenção estadual da federação composta por PSOL e Rede Sustentabilidade, realizada em São Paulo neste domingo (26 de julho de 2026), foi palco de intensas divergências internas, especialmente em torno da definição da suplência da ex-ministra Marina Silva (Rede Sustentabilidade), que concorre a uma vaga no Senado. O evento, que se estendeu até a noite, revelou as complexidades e tensões que permeiam as alianças políticas em ano eleitoral, com impasses que adiaram decisões cruciais.
A reunião, inicialmente prevista para ocorrer antes do ato político com discursos das lideranças, teve sua ordem alterada devido a um impasse prolongado entre PSOL, Rede e PDT. A votação da convenção só foi realizada no início da noite, após os discursos, um indicativo das dificuldades em se chegar a um consenso. A ausência de figuras proeminentes do PSOL, como Guilherme Boulos (PSOL-SP), ministro da Secretaria-Geral da Presidência, e a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), também chamou a atenção, com Boulos em agenda oficial em Brasília.
Impasse na definição da suplência de Marina Silva
O cerne da discórdia residia na primeira suplência de Marina Silva, que, conforme pesquisa Datafolha divulgada neste mês, lidera numericamente a disputa por uma cadeira no Senado por São Paulo. A ex-ministra integra uma chapa mais ampla, que inclui nomes de peso como Fernando Haddad (PT), Márcio França (PSB) e Simone Tebet (PSB). Enquanto Haddad e França disputam o Governo paulista como titular e vice, respectivamente, Marina e Tebet buscam vagas no Senado pelo estado.
A complexidade da situação é amplificada pela expectativa de que Marina Silva e Simone Tebet possam assumir ministérios em um eventual quarto governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa possibilidade eleva a importância das suplências, transformando-as em posições estratégicas e cobiçadas dentro da coligação. A escolha do primeiro suplente, em particular, torna-se um ponto de atrito, pois ele seria o responsável por assumir a cadeira no Senado caso a titular seja convocada para outra função.
Repercussão e insatisfação do PDT com a escolha
Na noite do domingo, após longas discussões, o nome aprovado para a primeira suplência de Marina Silva foi o do vereador Djalma Nery (PSOL). A decisão, no entanto, não foi bem recebida por todos os aliados. O Partido Democrático Trabalhista (PDT), que havia declarado apoio à chapa da esquerda em São Paulo, manifestou profunda insatisfação. Fontes do partido, em contato com a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, expressaram sentir-se “humilhados” e chegaram a ameaçar lançar candidaturas próprias em resposta à escolha.
A resistência ao nome de Djalma Nery não se limitou ao PDT, encontrando eco em outras frentes da coligação. Esse cenário de descontentamento sublinha as fragilidades e os desafios inerentes à formação de grandes alianças eleitorais, onde a necessidade de acomodar diferentes interesses e forças políticas pode gerar atritos significativos, mesmo entre partidos que compartilham uma mesma base ideológica.
Cenário eleitoral e os próximos passos da federação
Apesar das tensões, o calendário eleitoral ainda permite margem para negociações. Partidos e federações têm até o dia 5 de agosto para realizar suas convenções, definir candidatos e formalizar coligações. Isso significa que as conversas e os debates em torno das vagas de suplência, especialmente as ligadas a Marina Silva, devem continuar nos próximos dias, com a possibilidade de novos desdobramentos e ajustes na composição da chapa.
Além da polêmica sobre a suplência, a federação de PSOL e Rede também aprovou outras candidaturas importantes para as eleições de 2026. Foram homologados 47 nomes para deputados federais, sendo 10 da Rede e 37 do PSOL, e 66 para deputados estaduais, com 9 da Rede e 57 do PSOL. Essas definições consolidam a plataforma da federação para o pleito, apesar das turbulências recentes. A ausência de Boulos, que estava em Brasília em compromissos com o presidente Lula, e a falta de resposta da assessoria de Erika Hilton sobre sua ausência, adicionam camadas à narrativa da convenção, destacando a dinâmica complexa das agendas políticas e partidárias.
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