Confronto no Paço Municipal
Uma manifestação realizada na tarde desta quinta-feira (27) na sede da Prefeitura de Diadema, no Grande ABC, terminou em um cenário de tensão, com registro de vidros quebrados e um policial militar ferido. O ato, que reuniu integrantes do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e apoiadores do partido Unidade Popular (UP), buscava protestar contra uma ordem de desocupação de um imóvel situado na Rua Oriente Monti.
Segundo informações divulgadas pela administração municipal, o tumulto teve início por volta das 16h30, quando um grupo estimado entre 40 e 50 pessoas acessou o prédio público. A prefeitura alega que a entrada foi forçada e que, durante a ação, houve depredação do patrimônio. Em resposta, a Guarda Civil Municipal (GCM) foi acionada para conter a invasão e isolar o prédio, contando com o apoio da Polícia Militar na área externa.
A versão dos manifestantes e o embate
O MLB, por meio de nota oficial, contestou a narrativa apresentada pelo Executivo municipal. O movimento classificou o protesto como uma ação pacífica e afirmou que os manifestantes buscavam apenas estabelecer um canal de diálogo com representantes do governo para a formação de uma mesa de negociação. Segundo o grupo, a violência teria sido iniciada pelos agentes de segurança.
Os organizadores relataram que, durante a conversa no hall de entrada, a GCM teria utilizado cassetetes e spray de pimenta contra os presentes. O movimento também denunciou a detenção de dois militantes durante o episódio. A candidata ao Governo de São Paulo pela UP, Vivian Mendes, que acompanhava o ato, afirmou ter sofrido agressões por parte da polícia enquanto estava do lado de fora do edifício.
Contexto da ocupação e desdobramentos
O impasse central gira em torno da Ocupação Palestina Livre, que, segundo o MLB, abriga cerca de 200 famílias em um imóvel que estaria abandonado há anos. O movimento critica a postura da prefeitura, alegando que o Executivo interveio no processo de reintegração de posse sem apresentar alternativas habitacionais concretas para as famílias envolvidas.
Por outro lado, a Prefeitura de Diadema esclareceu que a ordem de desocupação não é uma decisão administrativa direta, mas sim um cumprimento de determinação do Poder Judiciário, com trânsito em julgado e mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O município ressaltou que sua atuação se limita ao cadastramento das famílias para inclusão em programas de aluguel social e apoio à saída voluntária.
Responsabilização e segurança
Durante o confronto, um policial militar foi agredido e sofreu uma tentativa de roubo de seu armamento, conforme relatado pela administração municipal. O agente precisou ser encaminhado para atendimento médico em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da região. Representantes da prefeitura e da GCM registraram um boletim de ocorrência no 1º Distrito Policial de Diadema.
A administração reforçou que o direito à livre manifestação não autoriza atos de vandalismo ou agressão a servidores e ao patrimônio. O governo municipal declarou que tomará todas as providências para responsabilizar os envolvidos, tanto na esfera cível quanto na criminal. Para acompanhar os desdobramentos deste e de outros casos que impactam a região do Grande ABC e o cenário político estadual, continue acompanhando o M1 Metrópole, seu portal de referência para uma cobertura jornalística séria, ágil e contextualizada.