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Programa Imóvel da Gente: governo federal destina 1,9 mil propriedades ociosas para uso social

Ricardo Stuckert / PR
Ricardo Stuckert / PR

Nesta quinta-feira, o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) anunciou um passo significativo na política habitacional e de uso do patrimônio público federal. Quase 1,9 mil imóveis de propriedade da União estão sendo direcionados para diversas finalidades sociais e econômicas, marcando um novo capítulo na gestão de bens públicos. A iniciativa, que integra o programa Imóvel da Gente, visa transformar propriedades abandonadas em oportunidades para milhares de famílias e comunidades em todo o Brasil.

As destinações incluem a regularização fundiária em áreas urbanas e rurais, a construção de moradias populares, a adaptação de estruturas para equipamentos de saúde e educação, e até mesmo a venda no mercado imobiliário para compor um fundo de investimentos administrado pelo próprio governo. O anúncio foi feito durante um evento no Palácio do Planalto, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros, gestores municipais e representantes de movimentos sociais, destacando a relevância e o alcance da proposta.

O Resgate da Função Social do Patrimônio Público

A essência do programa Imóvel da Gente reside na busca por uma função social para áreas públicas que se encontram ociosas. O presidente Lula enfatizou a urgência dessa medida, citando o cenário de grandes centros urbanos. “Você pega o centro velho de São Paulo, o centro velho do Rio de Janeiro, de Salvador, de Recife, todas essas capitais, há muito tempo, têm prédios abandonados, casas abandonadas, lojas abandonadas. E muitas vezes são abandonadas com processos na Justiça”, explicou o presidente, sublinhando a necessidade de reverter esse quadro.

Essa visão é reforçada pela ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, que destacou a transformação em curso. “A gente está transformando imóveis abandonados em moradias, em títulos de propriedade, em escolas, em hospitais, em oportunidades. O patrimônio da União voltou a cumprir sua função social e socioambiental e voltou a servir ao povo brasileiro”, afirmou a ministra, ressaltando o impacto direto na vida das pessoas.

O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, complementou a discussão com um dado crucial do último censo do IBGE: o Brasil possui 11 milhões de imóveis ociosos, enquanto 6,2 milhões de famílias não têm moradia. “Um dado que o movimento de moradia sempre reforçou é que, no Brasil, por uma herança histórica de desigualdade, a gente tem mais casa sem gente do que gente sem casa”, observou Boulos, evidenciando a disparidade que o programa busca mitigar.

Impacto Abrangente: Moradia, Serviços e Regularização Fundiária

Desde sua implementação em 2023, as ações do Imóvel da Gente, coordenadas pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao MGI, já demonstram um potencial transformador. Os dados indicam que as destinações realizadas podem beneficiar cerca de 400 mil famílias em todos os estados brasileiros. A área total abrangida por essas propriedades soma mais de 18,5 mil quilômetros quadrados, o equivalente a aproximadamente três vezes o tamanho do Distrito Federal, ilustrando a magnitude da iniciativa.

A regularização fundiária é um dos pilares do programa. A SPU identificou 370 áreas da União com ocupação habitacional ainda não titulada. Esses processos envolvem parcerias estratégicas com estados e prefeituras, que são responsáveis pela urbanização do território, parcelamento dos imóveis, identificação das famílias e registro em cartório. Para custear a titulação, incluindo os custos cartoriais, o programa PAC Periferia Viva, outra iniciativa federal, disponibiliza cerca de R$ 200 bilhões. Atualmente, 129 das 370 áreas já contam com parcerias firmadas entre o governo federal e os municípios para viabilizar a regularização.

Além da moradia, a destinação de imóveis abrange outras áreas essenciais. Cerca de 68 propriedades foram destinadas para a criação de hospitais, unidades básicas de saúde e unidades de assistência social. Na área da educação pública, 141 imóveis ociosos estão sendo transferidos, incluindo 25 campi de institutos federais, ampliando o acesso à educação de qualidade em diversas regiões.

Casos Emblemáticos e o Olhar para as Comunidades

O programa Imóvel da Gente não se limita a números, mas se materializa em histórias e transformações locais. Em cidades como Belém, a ministra Esther Dweck destacou que cerca de 15 bairros poderão ter suas casas completamente regularizadas em nome das famílias ocupantes, um avanço significativo na garantia do direito à moradia e à dignidade. A iniciativa também tem um forte componente social e ambiental, com a repasse de 196 áreas da União para comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, fortalecendo seus territórios e modos de vida.

Um dos exemplos mais simbólicos é a destinação dos galpões do antigo Instituto Central do Café, na Vila Carioca, centro de São Paulo. Esses armazéns, que estavam na mira do governo para destinação desde 2009, durante o segundo mandato de Lula, possuem um valor afetivo para o presidente, que viveu perto do local na infância. “Isso para mim é um sonho, poder entregar ao povo da Vila Carioca esse armazém”, declarou Lula durante a cerimônia.

A destinação desse imóvel específico ainda passará por etapas de planejamento. Após a liberação da propriedade, um projeto arquitetônico para múltiplos usos da área será desenvolvido e discutido diretamente com os moradores do bairro, por meio de consultas públicas. A visão do governo é transformar o local em um equipamento híbrido, com centro cultural e áreas de lazer, refletindo a participação comunitária na definição do futuro de seu patrimônio.

Desafios e Perspectivas Futuras do Programa

A complexidade de gerenciar e destinar um volume tão grande de propriedades federais envolve desafios significativos, desde questões legais e burocráticas até a coordenação entre diferentes esferas de governo e a participação da sociedade civil. No entanto, o programa Imóvel da Gente representa um esforço contínuo para superar esses obstáculos, transformando o abandono em dignidade e oportunidades.

A iniciativa reforça o compromisso do governo federal em utilizar seu patrimônio para combater desigualdades e promover o desenvolvimento social e econômico. A expectativa é que, com o avanço das parcerias e a execução dos projetos, mais famílias sejam beneficiadas e mais espaços públicos ganhem nova vida, cumprindo sua verdadeira função para a sociedade brasileira.

Para mais informações sobre as políticas de gestão de patrimônio e habitação, clique aqui e acesse a fonte original da notícia na Agência Brasil.

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