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STJ mantém prisão de tenente-coronel da PM réu por feminicídio da esposa em São Paulo

STJ mantém prisão de tenente-coronel da PM réu por feminicídio da esposa em São Paulo
Foto: Reprodução/TV Globo

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, decidiu manter a prisão preventiva do tenente-coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Leite Rosa Neto. Ele é réu pela acusação de feminicídio de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, também policial militar. A decisão liminar, proferida pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, rejeita o pedido de liberdade da defesa, que buscava medidas cautelares e alegava cooperação do oficial com as investigações. O mérito do habeas corpus ainda será analisado pela Quinta Turma do STJ, mas a manutenção da prisão preventiva sublinha a gravidade das acusações e a preocupação do tribunal com a lisura do processo.

O caso, que chocou a corporação e a sociedade paulista, remonta a 18 de fevereiro de 2026, quando Gisele Alves Santana foi baleada na cabeça no apartamento onde vivia com o marido, na região do Brás, centro de São Paulo. A soldado foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos, falecendo no mesmo dia. Geraldo Leite Rosa Neto foi preso em 18 de março e está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital.

O Caso Gisele Alves Santana e as Acusações

As investigações e a denúncia do Ministério Público apontam que Geraldo teria agredido a esposa e, após uma discussão, atirado contra a cabeça dela. A acusação mais grave, além do feminicídio, é a de fraude processual: o tenente-coronel teria alterado a cena do crime para simular um suicídio, chegando a colocar a arma na mão da vítima. Geraldo nega veementemente as acusações, sustentando que encontrou a mulher caída no chão com a arma após ouvir um barulho enquanto tomava banho, e que ela teria cometido suicídio.

Inicialmente, o incidente foi registrado como suicídio consumado. No entanto, a natureza das circunstâncias e a persistência das investigações levaram à reclassificação para morte suspeita. Em março, o corpo de Gisele foi exumado, e o laudo do Instituto Médico Legal (IML) revelou lesões no rosto e na região cervical. Essas marcas foram consideradas compatíveis com agressão física, contrariando a versão de suicídio e fortalecendo a tese da acusação.

A Decisão do Superior Tribunal de Justiça

Ao fundamentar a manutenção da prisão preventiva, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca destacou o risco de interferência na produção de provas. A posição de Geraldo na hierarquia da Polícia Militar, um tenente-coronel da reserva, é um fator relevante, uma vez que há policiais entre as testemunhas do caso. A decisão do STJ também levou em consideração os indícios de que o oficial teria tentado eliminar vestígios e alterar o local onde Gisele foi encontrada, o que configura a acusação de fraude processual e reforça a necessidade da prisão para garantir a integridade da apuração.

A gravidade do feminicídio, crime que atinge mulheres pela sua condição de gênero, tem sido um tema central no debate sobre a violência doméstica no Brasil. Casos como este, envolvendo agentes de segurança pública, ganham ainda mais destaque devido à responsabilidade inerente à função e ao potencial impacto na confiança da população nas instituições. A manutenção da prisão preventiva, neste contexto, sinaliza a seriedade com que o Judiciário encara tais acusações, buscando assegurar que a justiça seja feita sem qualquer tipo de privilégio ou interferência.

Desdobramentos e o Caminho para o Júri Popular

Em abril, o próprio STJ já havia determinado que o caso fosse julgado pelo Tribunal do Júri de São Paulo, instância responsável por crimes dolosos contra a vida. Essa decisão reforça a convicção de que há elementos suficientes para que a sociedade, por meio do júri popular, avalie as provas e decida sobre a culpa ou inocência do tenente-coronel.

O processo tem enfrentado alguns adiamentos. O interrogatório de Geraldo, por exemplo, foi remarcado pela segunda vez. Inicialmente previsto para 28 de agosto, foi postergado para 8 de setembro. A justificativa para o novo adiamento foi o pedido de uma perita do Instituto de Criminalística, que solicitou mais prazo para complementar um laudo técnico. Esses atrasos, embora comuns em processos complexos, adicionam uma camada de expectativa e acompanhamento por parte da mídia e da opinião pública, atenta aos detalhes de um caso que envolve violência de gênero e a conduta de um membro da força policial.

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