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Primo do rei da Noruega destina R$ 700 mil a campanhas eleitorais em quatro estados brasileiros

Primo do rei da Noruega destina R$ 700 mil a campanhas eleitorais em quatro estados brasileiros
Painel

Um nome com laços diretos com a realeza norueguesa movimentou o cenário político brasileiro ao realizar uma doação significativa para campanhas eleitorais. Haakon Lorentzen, de 72 anos, primo do novo rei da Noruega, Haakon 8º, aportou um total de R$ 700 mil para sete candidatos que disputam cargos em quatro estados do Brasil nas eleições deste ano. A movimentação financeira, concentrada em um curto período, levanta discussões sobre o papel de doadores com conexões internacionais no financiamento de campanhas nacionais.

Residente no Brasil desde os três meses de idade, Lorentzen é uma figura estabelecida no empresariado nacional. Ele preside o grupo Lorinvest, um conglomerado com atuação diversificada em setores estratégicos como gás natural, serviços financeiros, tecnologia industrial e empreendimentos imobiliários, o que lhe confere uma posição de influência e capacidade de investimento em diversas frentes, incluindo a política.

Aportes financeiros em campanhas de deputados

As doações de Haakon Lorentzen foram realizadas em um intervalo de apenas dois dias, entre 1º e 2 de setembro, e distribuídas de forma equitativa entre os beneficiários. Cada um dos sete candidatos recebeu a quantia de R$ 100 mil, totalizando os R$ 700 mil. A escolha dos nomes abrangeu diferentes regiões do país, indicando um interesse em apoiar candidaturas em diversos contextos estaduais.

  • Flavio Valle (PSD-RJ)
  • Pedro Duarte (PSD-RJ)
  • Daniel Soranz (PSD-RJ)
  • Joyce (PSD-RJ)
  • Duarte Júnior (Avante-MA)
  • Susane Vidal (Republicanos-SE)
  • Juliana Prates (Republicanos-BA)

Todos os candidatos mencionados concorrem a vagas de deputado, seja em nível estadual ou federal, demonstrando um foco no legislativo. A concentração das doações em um período tão curto e para partidos distintos como PSD, Avante e Republicanos sugere uma estratégia de apoio pulverizado, mas com valores consideráveis para cada campanha individual.

Histórico de doações e o peso da influência

Esta não é a primeira vez que Haakon Lorentzen se envolve no financiamento de campanhas eleitorais no Brasil. Nas eleições de 2022, o empresário já havia doado R$ 75 mil para Renan Ferreirinha. Ferreirinha foi eleito deputado federal e, posteriormente, assumiu o cargo de secretário municipal de Educação do Rio de Janeiro, evidenciando o impacto que tais apoios podem ter na trajetória política dos beneficiados.

A atuação de Lorentzen como presidente do grupo Lorinvest, com seus múltiplos braços de negócios, posiciona-o como um ator relevante no cenário econômico. O financiamento de campanhas por empresários é uma prática comum e legal no Brasil, mas a origem e o perfil do doador, com sua conexão com a realeza europeia, adicionam uma camada de interesse e singularidade ao caso, chamando a atenção para a diversidade de fontes de recursos que podem influenciar o processo democrático.

Conexões reais: a linhagem de Haakon Lorentzen

A ligação de Haakon Lorentzen com a monarquia norueguesa é inegável e remonta à sua mãe, a princesa Ragnhild. Nascida no Palácio Real, em Oslo, em 9 de junho de 1930, Ragnhild era a filha mais velha do rei Olavo 5º (1903-1991). Ela era, portanto, irmã do rei Haroldo 5º, que, segundo a informação da fonte, faleceu em 28 de agosto, e tia do atual soberano, o que o torna primo do novo rei Haakon 8º.

A princesa Ragnhild veio para o Brasil em 1953, após se casar com o empresário norueguês Erling Lorentzen. Ela faleceu no Rio de Janeiro em 2012, aos 82 anos, deixando um legado de conexão entre a realeza europeia e o país sul-americano. A presença de Haakon Lorentzen no Brasil, desde tenra idade, e sua atuação empresarial e política, são um reflexo dessa história familiar e da integração de figuras com origens distintas na sociedade brasileira.

A equipe do Painel tentou contato com o empresário norueguês para obter um posicionamento sobre as doações, mas não obteve resposta até o momento da publicação. Casos como este reforçam a importância da transparência no financiamento de campanhas e a necessidade de o público estar sempre informado sobre quem são os atores por trás dos recursos que impulsionam as candidaturas.

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