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Presidente do Missão na Bahia defende chacinas em favelas de Salvador durante ato

Presidente do Missão na Bahia defende chacinas em favelas de Salvador durante ato
Renan Santos no Facebook

Declarações inflamadas em ato eleitoral

O cenário político em Salvador foi marcado por uma polêmica de grandes proporções neste domingo (28). Durante um comício realizado em frente à reitoria da UFBA (Universidade Federal da Bahia), o presidente do partido Missão na Bahia, David Pirajá, defendeu publicamente a realização de chacinas em comunidades da capital baiana. A fala ocorreu durante um evento de campanha que contava com a presença do candidato a presidente pela legenda, Renan Santos.

Em seu discurso, David Pirajá utilizou termos explícitos ao mencionar áreas periféricas da cidade. “Tem que ter uma chacina no Bairro da Paz, tem de ter uma chacina na comunidade Planeta dos Macacos. A gente tem de entrar nessas favelas e fazer um banho de sangue com todo mundo do Comando Vermelho”, afirmou o dirigente partidário diante dos apoiadores.

Defesa e endosso da cúpula partidária

Após a repercussão negativa da fala, o presidente do diretório estadual buscou esclarecer o teor de sua declaração. Em contato com a imprensa, David Pirajá sustentou que suas palavras faziam referência direta ao combate contra integrantes de facções criminosas que atuam no estado.

O candidato à presidência, Renan Santos, não apenas se manteve ao lado do aliado, como reforçou o tom do discurso. Em vídeo, o presidenciável defendeu a postura de confronto direto e afirmou que a resposta estatal contra o crime organizado deve ser implacável. “Se puxarem arma e reagirem à polícia, a resposta será letal”, declarou Renan Santos, reiterando que não pretende adotar uma postura conciliadora diante da criminalidade.

Repercussão social e jurídica

A declaração provocou uma onda de repúdio por parte de entidades da sociedade civil e figuras políticas. A Associação Bahiana de Imprensa emitiu nota classificando o discurso como “absolutamente inaceitável”, ressaltando que a incitação ao extermínio de populações periféricas fere princípios constitucionais e tratados internacionais de direitos humanos.

A entidade defende que o Ministério Público da Bahia instaure uma investigação para apurar a conduta dos envolvidos, uma vez que a apologia a chacinas pode configurar crime previsto no Código Penal. No campo político, o ex-governador e candidato ao Senado, Rui Costa, criticou duramente a postura, classificando a fala como um “absurdo completo” vindo de lideranças que, segundo ele, seriam desqualificadas para o exercício da vida pública.

Contexto da segurança pública na Bahia

O debate ocorre em um momento de extrema sensibilidade para a segurança pública baiana. Dados oficiais apontam que a Bahia lidera o ranking nacional de mortes decorrentes de intervenção policial. Entre janeiro e agosto de 2026, o estado registrou 940 mortes em ações dessa natureza, um número que coloca o uso da força policial no centro das discussões eleitorais e sociais no estado.

Para acompanhar os desdobramentos desta investigação e as próximas movimentações da campanha eleitoral em Salvador, continue acompanhando o M1 Metrópole. Nosso compromisso é levar até você a informação apurada, contextualizada e relevante sobre os fatos que impactam a política regional e nacional, sempre com a seriedade que o leitor exige.

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