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Prefeitura do Rio intensifica combate a publicidade irregular de apostas esportivas

Prefeitura do Rio intensifica combate a publicidade irregular de apostas esportivas
Marcos Augusto Gonçalves

Ação municipal contra a propaganda de apostas

A Prefeitura do Rio de Janeiro intensificou, nos últimos dias, as operações de fiscalização voltadas à remoção de publicidade irregular de apostas esportivas, conhecidas popularmente como “bets”. A ação, conduzida pela Secretaria Municipal de Ordem Pública, visa coibir a exposição ostensiva de marcas que, segundo o poder público, têm gerado impactos negativos significativos no orçamento das famílias cariocas.

O rigor da medida se baseia no Decreto Rio nº 58.274, de 10 de setembro de 2026. A norma estabelece diretrizes rígidas para a propaganda externa na capital fluminense, reforçando que apostas eletrônicas podem gerar endividamento e causar danos financeiros graves à população. A fiscalização foca em painéis, faixas e estruturas publicitárias que ocupam espaços públicos sem a devida autorização ou que violam as novas restrições impostas pelo município.

O impacto social e o debate sobre a regulação

A ofensiva da prefeitura ocorre em um momento de intenso debate nacional sobre os danos causados pelos jogos online. Recentemente, a empresária Paula Lavigne, à frente da campanha “Block no Tigrinho”, reforçou a necessidade de frear a proliferação desses jogos, que funcionam 24 horas por dia via dispositivos móveis. O “Tigrinho”, apelido dado a um dos caça-níqueis digitais mais populares, tornou-se o símbolo de uma crise que mistura entretenimento e dependência financeira.

Dados do Banco Central revelaram, ainda em 2024, que cerca de 5 milhões de beneficiários do programa Bolsa Família destinaram R$ 3 bilhões a casas de apostas via Pix em apenas um mês. O cenário de endividamento é corroborado por pesquisas como a do Procon-SP, que apontou que quase 40% dos apostadores entrevistados contraíram dívidas após iniciarem a prática. O transtorno do jogo, reconhecido como uma forma de dependência, tem levado o Ministério da Saúde a alertar para o aumento de casos de ansiedade e depressão associados ao hábito.

Caminhos legislativos e o futuro das bets

Enquanto o poder municipal atua na remoção física das peças publicitárias, o Congresso Nacional busca alternativas para conter o avanço do setor. A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprovou, no início de outubro de 2026, um projeto que proíbe anúncios de bets em diversos meios de comunicação, incluindo rádio, TV e redes sociais. A proposta também veda patrocínios a clubes esportivos e influenciadores digitais, espelhando a estratégia adotada décadas atrás com a indústria do tabaco.

A comparação com o cigarro não é casual. O objetivo central é retirar o apelo de “diversão inofensiva” e a associação direta com o sucesso e a juventude, elementos frequentemente utilizados nas campanhas publicitárias das plataformas. Embora o setor movimente bilhões e sustente uma vasta cadeia de patrocínios, o ceticismo quanto à continuidade desse modelo de negócio cresce entre parlamentares e especialistas em saúde pública.

Acompanhe o M1 Metrópole para se manter informado sobre os desdobramentos desta fiscalização e os impactos das decisões legislativas no cotidiano dos brasileiros. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura aprofundada, com a credibilidade e a variedade de temas que você precisa para entender o cenário atual.

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