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Novas regras do governo Lula buscam reduzir em 50% custos de medicamentos de alto valor no SUS

Novas regras do governo Lula buscam reduzir em 50% custos de medicamentos de alto valor no SUS

O Ministério da Saúde, sob a gestão do governo Lula, deu um passo significativo para otimizar os gastos públicos com tratamentos de alta complexidade. Nesta quinta-feira (23), foi publicada uma portaria que regulamenta a negociação de descontos confidenciais na aquisição de medicamentos de alto custo. A medida, conhecida como “desconto silenciado” ou “compra silenciada”, visa baratear essas aquisições para o Sistema Único de Saúde (SUS), que enfrenta crescente pressão orçamentária.

A iniciativa surge em um cenário onde o orçamento da pasta é constantemente tensionado por demandas judiciais, que forçam a compra de fármacos caros e, muitas vezes, não incorporados à lista padrão do SUS. A expectativa é que, até 2026, essas despesas judiciais consumam cerca de R$ 2,5 bilhões, tornando urgente a busca por mecanismos que garantam a sustentabilidade do sistema de saúde público.

Mecanismo de preço confidencial para o SUS

A portaria formaliza a criação de um comitê de negociação, responsável por conduzir as tratativas para a obtenção desses descontos. A principal característica do modelo é o sigilo nas etapas de negociação do preço final. Enquanto o preço inicial, submetido à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) para avaliação de inclusão de novos tratamentos, permanecerá público, os valores efetivamente pactuados com os fornecedores serão confidenciais.

A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, expressou a expectativa de que este mecanismo resulte em descontos de, no mínimo, 50% sobre o preço inicialmente ofertado. O comitê terá a função de reportar à Conitec o avanço das negociações, sempre dentro dos parâmetros previamente estabelecidos pela comissão. Embora não comece como um projeto piloto, a primeira negociação servirá como um importante balizador para as futuras aquisições.

Desafios e relevância estratégica para a saúde pública

A implementação do preço confidencial é vista como uma ferramenta crucial para enfrentar o desafio dos medicamentos oncológicos, que representam uma parcela significativa dos gastos de alto custo. “Os oncológicos são um desafio para o ministério, e a gente está tentando superar a partir da portaria”, afirmou Fernanda De Negri. A ativação do comitê pode partir tanto da Conitec quanto de outras secretarias do Ministério da Saúde que lidam com políticas e tecnologias que poderiam ter seus preços renegociados.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, manifestou a esperança de que o comitê já consiga intermediar uma negociação de preço no alto custo ainda neste ano. A urgência reflete a necessidade de otimizar os recursos e garantir o acesso a tratamentos inovadores, sem comprometer a estabilidade financeira do SUS, que atende a milhões de brasileiros.

Critérios rigorosos para a negociação sigilosa

Para que o procedimento de preço confidencial seja adotado, a portaria estabelece seis requisitos mandatórios, garantindo que a medida seja aplicada de forma estratégica e justificada. São eles:

  • Ser uma tecnologia de alto custo;
  • O medicamento estar protegido por patente ou ter fornecedor único;
  • Ter relevância estratégica para o SUS;
  • Possuir relevância sanitária para a saúde pública;
  • Haver justificação técnica para a adoção da medida;
  • Demonstrar que o Estado pode ter prejuízo caso a confidencialidade não seja adotada.

Quando esses critérios são atendidos, os detalhes da negociação – como preços líquidos, descontos, rebates e bonificações – podem ter seu acesso restrito. Essa restrição é fundamental para evitar que os valores negociados se tornem uma referência pública, o que poderia enfraquecer o poder de barganha do governo em futuras compras ou em negociações com outros países, mantendo a competitividade.

Base legal e o futuro das aquisições no SUS

Inicialmente, o Ministério da Saúde chegou a considerar a necessidade de alterações legais para viabilizar as negociações com restrição de acesso à informação. Contudo, a Advocacia Geral da União (AGU) concluiu que a criação do mecanismo poderia ser feita apenas por meio de portaria, simplificando o processo e acelerando sua implementação. Essa decisão reforça a autonomia da pasta para buscar soluções inovadoras na gestão de seus recursos. Mais informações sobre as políticas do SUS podem ser encontradas no site oficial do Ministério da Saúde.

A negociação sigilosa representa uma estratégia moderna de aquisição de medicamentos, alinhada a práticas internacionais, que busca maximizar o retorno do investimento público em saúde. Ao evitar que os preços fechados sejam usados como baliza em outros processos de compra, o governo fortalece sua posição e busca garantir que o SUS continue a oferecer tratamentos de ponta a milhões de brasileiros, com maior eficiência e sustentabilidade financeira. Este é um passo crucial para aprimorar a gestão de recursos e assegurar que o direito à saúde seja efetivado de maneira cada vez mais robusta no país.

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