Durante um ato de campanha realizado no centro de São Paulo na noite desta quinta-feira (1º), o candidato a vice-governador Márcio França (PSB) protagonizou um momento de tensão política ao sugerir que eleitores homens optassem por candidatos do sexo masculino ou anulassem o voto para o Senado. A declaração causou desconforto imediato, uma vez que a chapa que França integra, liderada por Fernando Haddad (PT), conta com duas candidaturas femininas à Casa Legislativa: Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).
Contexto da disputa e a fala de França
A fala ocorreu em um momento em que a corrida eleitoral para o Senado em São Paulo se mostra extremamente acirrada. O comentário de França surgiu logo após a divulgação de uma pesquisa Datafolha, que aponta um cenário de empate técnico quádruplo entre as candidatas de sua coligação e os representantes da chapa adversária, composta pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).
Ao discursar para o público, França tentou traçar uma estratégia para o voto no Senado. “A eleição de governador é mais apertada, mas a eleição do Senado é mais apertada ainda. E aqui nós temos duas mulheres, então vamos fazer o seguinte: quem for mulher vota nas duas, quem for homem pode escolher um homem e vota numa delas. Ou anula o voto, faz o que quiser”, afirmou o candidato.
Reação imediata das candidatas
A resposta das aliadas de chapa foi rápida e direta. Marina Silva, que estava presente no palco, interrompeu a lógica proposta pelo colega de partido logo em seguida. “O Márcio falou que quem é mulher vota nas duas e quem é homem pode escolher um homem. Não! Quem é mulher vota nas duas e quem é homem, vota nas duas”, rebateu a ex-ministra, sendo aplaudida pelos presentes.
Marina aproveitou o espaço para subir o tom contra os adversários, André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), classificando-os como “homens tóxicos que não conseguem respeitar mulheres que estão na liderança”. Na mesma linha, Simone Tebet reforçou a unidade da chapa, utilizando um tom bem-humorado para selar a parceria: “Aqui é Simone Silva e Marina Tebet, é tudo junto e misturado. Somos duas mulheres e vamos derrotar dois homens que não merecem se eleger senadores da República pelo Estado de São Paulo”.
Cenário eleitoral e a disputa pelo Senado
O clima de embate reflete a volatilidade da disputa paulista. Segundo o levantamento do Datafolha divulgado nesta quinta-feira, Marina Silva lidera numericamente com 16% das intenções de voto, seguida por André do Prado e Simone Tebet, ambos com 15%, e Guilherme Derrite, com 14%. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, o que mantém os quatro candidatos em uma situação de indefinição.
O cenário ganhou novos contornos na última segunda-feira (28), quando o deputado federal Ricardo Salles (Novo) oficializou sua desistência da corrida ao Senado, declarando apoio direto a Derrite e André. A saída de Salles consolidou a polarização entre as chapas de Haddad e Tarcísio, intensificando a busca por cada voto nas semanas finais do pleito.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que também participou do evento, buscou apaziguar o ambiente e reforçar o apoio às candidatas, destacando que “a luta de duas mulheres é a luta da humanidade”.
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