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Flávio Bolsonaro terceiriza contas de filme e mantém sigilo sobre fundo dos EUA

Flávio Bolsonaro terceiriza contas de filme e mantém sigilo sobre fundo dos EUA
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O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta novos questionamentos sobre a transparência financeira envolvendo a produção do filme Dark Horse. Apesar de ter prometido publicamente, em maio, uma prestação de contas detalhada sobre o financiamento da obra cinematográfica, o parlamentar optou por delegar a tarefa à produtora Go Up Entertainment, mantendo sem esclarecimentos a origem e a movimentação de recursos do fundo americano Havengate.

O impasse sobre a transparência do financiamento

Em entrevista concedida no dia 19 de maio, cercado por aliados do PL, Flávio Bolsonaro afirmou ter solicitado à produtora e ao fundo responsável pelos repasses que organizassem uma prestação de contas transparente em um prazo de 30 dias. A promessa visava dissipar dúvidas sobre a origem dos valores investidos no longa-metragem, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No entanto, o compromisso de abertura total dos dados não se concretizou. A campanha do candidato informou, no final de junho, que a Go Up Entertainment já havia realizado a prestação de contas. O documento, contudo, não foi disponibilizado ao público nem detalha os financiadores e os fluxos financeiros do fundo Havengate, sediado no Texas, nos Estados Unidos.

Investigações e conexões financeiras

O caso ganhou contornos mais complexos após revelações do site The Intercept, que expôs mensagens entre Flávio Bolsonaro e o dono do banco Master, Daniel Vorcaro. Nas conversas, o senador solicita recursos para o filme. Segundo a apuração, o montante negociado teria atingido R$ 134 milhões, com um repasse inicial de R$ 61 milhões realizado por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, em direção ao fundo Havengate.

O fundo é gerido por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) residente nos Estados Unidos. A estrutura da operação levantou suspeitas que levaram a Polícia Federal a investigar se o capital destinado ao filme teria sido utilizado para custear despesas pessoais do ex-deputado, gerando uma frente de apuração que se soma a outros inquéritos em curso.

Avanço da Polícia Federal e o papel do STF

O cenário jurídico para a produtora Go Up Entertainment tornou-se mais rigoroso na última segunda-feira (24). O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, autorizou que a Polícia Federal utilize provas coletadas pela Polícia Civil de São Paulo. O material investiga possíveis desvios de recursos públicos provenientes de contratos entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, que também é proprietária da Go Up.

A integração desses dados deve acelerar as investigações sobre a destinação de emendas parlamentares para a produtora. Enquanto o processo tramita sob relatoria de Dino, a falta de detalhes sobre o fundo Havengate permanece como um ponto central de cobrança por parte de órgãos de controle e da opinião pública, mantendo o tema no centro do debate político nacional.

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