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Polifenóis presentes em uva, café e chá-verde fortalecem a microbiota intestinal

Polifenóis presentes em uva, café e chá-verde fortalecem a microbiota intestinal
Karime Xavier/Folhapress

A ciência tem voltado sua atenção para a microbiota intestinal, o complexo ecossistema de microrganismos que habita nosso trato digestivo, como um pilar central para a saúde humana. Uma revisão científica recente, publicada no periódico Food & Function, reforça que a ingestão de polifenóis — compostos bioativos abundantes em alimentos como uvas, café e chá-verde — desempenha um papel fundamental na modulação desse ambiente, com reflexos diretos no bem-estar físico e mental.

O papel dos polifenóis na regulação intestinal

Os polifenóis são metabólitos secundários sintetizados por plantas como um mecanismo de defesa natural contra estresses ambientais, como radiação ultravioleta e variações climáticas. Quando consumidos por humanos, esses compostos, que incluem pigmentos responsáveis pelas cores vibrantes de frutas como a jabuticaba e a uva, atuam de forma estratégica no organismo.

Segundo o engenheiro de alimentos Mario Marostica, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que conduziu o estudo em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora, o impacto ocorre por meio de três mecanismos principais. Primeiramente, os polifenóis exercem uma ação seletiva, estimulando o crescimento de bactérias benéficas enquanto inibem linhagens prejudiciais. Além disso, muitos desses compostos chegam ao intestino grosso praticamente intactos, onde são metabolizados em substâncias biologicamente ativas e auxiliam na produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), essenciais para a integridade da barreira intestinal.

Conexão entre intestino e saúde mental

A influência da dieta sobre o humor e a saúde psicológica é explicada pelo chamado eixo intestino-cérebro. Esta via de comunicação bidirecional permite que alterações na microbiota, mediadas pela ingestão de polifenóis, impactem a produção de neurotransmissores como a serotonina, frequentemente associada à regulação do bem-estar.

Embora os polifenóis não atravessem a barreira hematoencefálica, eles participam da sinalização química que viaja, por exemplo, através do nervo vago. O nutrólogo Celso Cukier, do Hospital Israelita Albert Einstein, aponta que essa interação é promissora. “Esse sistema já está bem descrito e pode, futuramente, ser um dos aspectos considerados como coadjuvante no tratamento de males como a ansiedade e a depressão”, afirma o especialista.

Estratégias para uma dieta rica em compostos fenólicos

Com cerca de 8 mil tipos catalogados, os polifenóis são divididos em classes, sendo os flavonoides o grupo mais estudado. Eles estão presentes em uma vasta gama de alimentos, como a quercetina na cebola e maçã, o kaempferol no brócolis e o ácido cafeico no café. Para colher os benefícios, a chave não está no consumo isolado, mas na constância.

A recomendação dos pesquisadores é clara: a prioridade deve ser uma alimentação variada, com consumo habitual de frutas, hortaliças e vegetais. A ingestão esporádica de grandes quantidades é menos eficaz do que a manutenção de uma dieta equilibrada a longo prazo. É fundamental ressaltar que esses benefícios são potencializados por um estilo de vida que integra atividade física regular, sono de qualidade e estratégias de gerenciamento do estresse, conforme detalhado em estudos sobre nutrição funcional, como os disponíveis em fontes de referência em saúde.

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