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Policiais da Rota deixaram tropa de elite para atuar na segurança de empresa ligada ao PCC

Policiais da Rota deixaram tropa de elite para atuar na segurança de empresa ligada ao PCC

A estrutura de segurança pública em São Paulo enfrenta um novo capítulo de questionamentos após denúncias do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) revelarem que policiais militares, incluindo integrantes da Rota — a tropa de elite da Polícia Militar —, abandonaram suas funções oficiais para prestar serviços privados a empresários da Transwolff. A empresa de ônibus está sob investigação por suspeitas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

O caso, que expõe uma grave mistura entre a atividade policial e interesses de organizações criminosas, detalha como agentes públicos passaram a atuar na proteção direta de dirigentes da companhia e de seus familiares. Segundo a denúncia, a prestação de serviço ia além da vigilância de garagens, alcançando tarefas domésticas, como o transporte de crianças da escola e a busca de babás para os filhos dos empresários.

A escolha entre a farda e o serviço privado

A investigação aponta que o então integrante da Rota, Alexandre Aleixo Romano Cezário, utilizou o sistema Muralha Paulista para realizar consultas sobre Robson e Gilberto Flares Lopes Pontes, sócios da Transwolff. Ao descobrir que um deles possuía antecedentes criminais por tráfico, o policial não interrompeu o vínculo; pelo contrário, optou por priorizar a atividade particular.

Confrontado pelo comando do batalhão, que exigiu o afastamento da função privada, Romano preferiu solicitar sua transferência da Rota. Em mensagens interceptadas pelo MP, o agente afirmou que, após 27 anos de carreira, estava decidido a manter o trabalho de segurança para os empresários, mesmo que isso significasse deixar a unidade de elite da corporação.

Blindagem reputacional e o papel do dinheiro vivo

Para o Ministério Público, o contrato de segurança não visava apenas a proteção física, mas a chamada “blindagem reputacional”. A lógica era clara: a presença de policiais da Rota ao redor dos executivos servia como um escudo contra suspeitas, conferindo uma falsa aparência de legitimidade institucional aos negócios da empresa investigada.

O volume de recursos movimentado pelo grupo também chama a atenção. Em fevereiro deste ano, durante uma operação da Corregedoria, foi encontrada uma mala na casa do sargento da reserva Nereu Aparecido Alves contendo R$ 1,18 milhão em espécie. O montante, composto por notas de R$ 100 e R$ 200, não possuía comprovação fiscal ou bancária. O caso está sendo tratado como lavagem de dinheiro, com o valor depositado judicialmente.

Impactos na segurança pública

A denúncia do MP-SP coloca em xeque a integridade dos protocolos de fiscalização interna da Polícia Militar. O uso de sistemas oficiais de consulta para fins privados e a movimentação de grandes quantias de dinheiro vivo por agentes da reserva evidenciam falhas graves no controle de conduta. O caso segue sob análise do Poder Judiciário, enquanto a sociedade acompanha os desdobramentos sobre a infiltração do crime organizado em serviços essenciais de transporte público.

Para entender as próximas etapas deste processo e acompanhar as atualizações sobre a segurança pública e os desdobramentos das investigações em São Paulo, continue acompanhando o M1 Metrópole. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística aprofundada, com foco na transparência e na relevância dos fatos que impactam o seu dia a dia.

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