O soldado da Polícia Militar Bruno Carvalho do Prado foi preso nesta segunda-feira (3) pela Corregedoria da corporação. O agente, que figura como réu no processo que investiga a morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital paulista. A detenção ocorre em cumprimento a uma ordem judicial expedida na última sexta-feira (31).
Decisão judicial e novos desdobramentos
A prisão preventiva foi decretada pela juíza Luiza Torggler Silva, da 4ª Vara do Júri. A magistrada fundamentou sua decisão não apenas na gravidade da acusação de homicídio qualificado, mas em novos fatos que vieram à tona. O policial é alvo de uma investigação por suspeitas de crimes de ameaça e lesão corporal contra a própria esposa, o que, segundo a juíza, indica risco à ordem pública e periculosidade social.
O pedido de prisão foi protocolado pela assistência de acusação da família de Marco Aurélio, com parecer favorável do Ministério Público. Além da reclusão, a Justiça determinou a apreensão de armas de fogo que estivessem sob posse do PM. A defesa de Bruno Carvalho do Prado classificou a medida como uma tentativa de vingança e anunciou que entrará com um pedido de habeas corpus para reverter a decisão.
O contexto da violência doméstica
Conforme consta no processo, a esposa do policial relatou um histórico de ameaças de morte que perduraria pelos últimos dois anos. Em um boletim de ocorrência, a mulher afirmou que o marido teria ameaçado matá-la e enviar o corpo para o Ceará. Em abril deste ano, após uma discussão motivada pelo pedido de separação, a vítima teria sofrido agressões físicas, deixando hematomas, e precisou deixar a residência por medo.
A defesa do policial questionou a forma como esses documentos, que tramitam sob segredo de Justiça, chegaram ao conhecimento dos advogados da família da vítima. Os defensores sustentam que a vida pessoal do acusado não deve ser confundida com a ocorrência que resultou na morte do estudante, a qual teria ocorrido estritamente em serviço.
Relembre o caso ocorrido em 2024
O crime que vitimou Marco Aurélio Cardenas Acosta aconteceu na madrugada de 20 de outubro de 2024, na região da Vila Mariana. O estudante foi morto com um disparo à queima-roupa após uma abordagem policial. A dinâmica do episódio, registrada por câmeras de segurança, mostrou o momento em que o jovem, após um desentendimento com a viatura, foi perseguido pelos policiais Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado até um hotel.
Nas imagens, é possível observar o uso da força física e o momento em que Guilherme Augusto Macedo efetua o disparo contra o abdômen da vítima. O estudante chegou a ser levado ao Hospital Ipiranga, mas não resistiu. Ambos os policiais respondem por homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Enquanto Bruno foi agora detido, Guilherme permanece em liberdade aguardando o julgamento pelo Tribunal do Júri, que ainda não possui data definida.
O caso segue sob acompanhamento rigoroso da Justiça e da Corregedoria da PM. Para continuar informado sobre este e outros desdobramentos que impactam a segurança pública e a sociedade, acompanhe o M1 Metrópole. Nosso compromisso é levar até você notícias apuradas, com a profundidade e a seriedade que o jornalismo de qualidade exige.