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Pequim além da muralha: como a capital chinesa equilibra tradição e modernidade

Pequim além da muralha: como a capital chinesa equilibra tradição e modernidade
Pedro Tubiana/Folhapress

A experiência de viajar pela capital chinesa

Chegar a Pequim é, para muitos viajantes, uma experiência que desafia a percepção do tempo. Ao desembarcar na capital chinesa, o visitante é imediatamente transportado de uma infraestrutura aeroportuária moderna e eficiente para o peso histórico de uma metrópole que foi o centro de dinastias milenares. A transição entre o novo e o antigo é mediada por processos de segurança rigorosos, que, embora inicialmente intimidadores, tornam-se parte da rotina de quem circula pelas estações de trem e metrô.

Diferente da imagem de rigidez que muitas vezes é associada ao país, a vivência cotidiana em Pequim revela um povo carismático e solícito. A barreira linguística, que poderia ser um obstáculo, é frequentemente superada pela disposição dos moradores locais em utilizar ferramentas digitais de tradução. Essa maleabilidade social aproxima a capital chinesa de uma hospitalidade que, em muitos aspectos, ressoa com o calor humano encontrado no Brasil.

Tecnologia e o ritmo das grandes atrações

A digitalização é a espinha dorsal da vida urbana em Pequim. Para o turista, a adaptação é imediata: é indispensável chegar ao país com aplicativos como WeChat e Alipay devidamente configurados. O dinheiro em espécie tornou-se uma raridade, e quase todas as transações, desde a compra de uma passagem de metrô até o pagamento de ingressos para monumentos históricos, dependem exclusivamente dessas plataformas digitais.

Um exemplo claro dessa necessidade é a visita à Cidade Proibida. O complexo, que abrigou imperadores, suas famílias e servos, exige planejamento. A recomendação é realizar a reserva gratuita via WeChat com antecedência, especialmente na alta temporada, quando os bilhetes custam cerca de 60 yuans (aproximadamente R$ 45,50). O local é uma cidade dentro da cidade, onde é possível passar um dia inteiro explorando pátios monumentais e jardins preservados.

Do Palácio de Verão aos caminhos da Muralha

Para escapar do calor intenso que historicamente castigava a Cidade Proibida, a dinastia Qing buscava refúgio no Palácio de Verão. Situado ao redor de um vasto lago artificial, o local oferece uma experiência mais contemplativa, com longos corredores e a opção de passeios de barco, que custam cerca de 100 yuans (R$ 75). É um respiro verde em meio à densidade urbana da capital.

A Muralha da China, por sua vez, impõe sua grandiosidade em diferentes seções acessíveis a partir de Pequim. Enquanto Badaling atrai multidões por sua proximidade (70 km), o trecho de Jinshanling oferece uma experiência mais autêntica e isolada, embora exija um dia inteiro de dedicação. Já Mutianyu, situada a cerca de 75 km, equilibra o acesso com a curiosidade de um tobogã de descida, tornando a visita uma mistura de contemplação histórica e lazer.

Cultura, lazer e a transformação urbana

A vida social em Pequim floresce em espaços públicos. No entorno do lago Houhai, a gastronomia local convive com bares de jazz, enquanto nos parques, como o do Templo do Céu, a cena é de vitalidade. É comum encontrar cidadãos praticando esportes ou, curiosamente, participando de sessões de karaokê ao ar livre. Além disso, a 798 Art Zone ilustra a transformação da cidade: antigas fábricas de armamentos foram convertidas em galerias de arte contemporânea, oferecendo um contraste arquitetônico fascinante entre o passado industrial e a efervescência cultural atual.

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