O patrimônio declarado da empresária Vanessa Ramuth, esposa do vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth (MDB), registrou um aumento expressivo de 580% desde que seu marido assumiu o cargo, em janeiro de 2023. A revelação, feita pela colunista Mônica Bergamo, destaca um salto de R$ 2 milhões para R$ 13,6 milhões em menos de três anos, levantando questões sobre a origem e a transparência desses recursos no cenário político.
A ascensão patrimonial da segunda-dama paulista chama a atenção pela velocidade e pela natureza das novas aquisições, que incluem investimentos bancários substanciais e participação em uma empresa no exterior. Este cenário coloca em evidência a complexidade das finanças de figuras públicas e seus familiares, especialmente quando há conexões com empresas que atuam no setor público.
A Escalada Patrimonial da Segunda-Dama
Em janeiro de 2023, no momento da posse de Felicio Ramuth ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Vanessa Ramuth declarou um patrimônio de R$ 2 milhões. Seus bens incluíam uma casa avaliada em R$ 325 mil, créditos a receber de sua própria empresa no valor de R$ 1,6 milhão, R$ 7 mil em títulos e apenas R$ 91 em conta bancária.
Contudo, ao final de 2025, a situação financeira da empresária apresentou uma transformação notável. Seu patrimônio declarado atingiu a marca de R$ 13,6 milhões. Entre os novos ativos, destacam-se R$ 2,3 milhões em investimentos bancários, um crédito de R$ 850 mil contra o próprio marido e uma participação de R$ 9,6 milhões em uma empresa no Panamá, a Visio Panamá Corporation S.A., evidenciando uma diversificação e valorização significativas.
A Origem dos Recursos: A Direct Serviços Digitais
A principal fonte de renda de Vanessa Ramuth, conforme as declarações oficiais, provém da Direct Serviços Digitais e Sistemas. Curiosamente, a empresa de software opera sem funcionários, possui um capital social modesto de R$ 5.000 e está sediada em um coworking na cidade de Barueri, na Grande São Paulo.
A Direct recebe recursos de duas outras companhias com forte atuação em contratos públicos, especialmente na área de sistemas de software para coleta de lixo com a Prefeitura de São Paulo: a A.L.A de Oliveira Sistemas e a CSJ Consultoria. A natureza dessas transações e as conexões históricas com o vice-governador são pontos centrais da apuração.
Conexões Empresariais e o Fluxo de Pagamentos
As empresas A.L.A de Oliveira Sistemas e CSJ Consultoria mantêm antigas relações empresariais com Felicio Ramuth. Ele já foi sócio da Direct, empresa que hoje pertence exclusivamente à sua esposa, e prestou consultoria à CSJ antes de ingressar na vida política. Ambas as companhias são controladas pelo grupo da família de Angelo de Oliveira, que também foi um dos fundadores da Direct.
A coluna obteve 41 notas fiscais que detalham os pagamentos dessas duas empresas para a Direct. Antes da eleição de Ramuth, entre 2021 e 2022, foram registrados oito pagamentos esporádicos, com valores que variavam de R$ 71 mil a R$ 307 mil, totalizando R$ 2 milhões. No entanto, a partir da posse de Felicio Ramuth no cargo de vice-governador, as transferências se tornaram praticamente mensais, com valores entre R$ 204 mil e R$ 695 mil.
No período de 2023 a 2025, as duas empresas repassaram um total de R$ 10,3 milhões à Direct. A A.L.A. realizou pagamentos até setembro de 2024, e a partir do mês seguinte, a CSJ assumiu a responsabilidade pelos pagamentos mensais. Em 2026, os repasses continuaram, com a CSJ desembolsando mais R$ 1,5 milhão para a empresa de Vanessa Ramuth. Vale ressaltar que as duas companhias têm sede em São José dos Campos, cidade administrada por Felicio Ramuth como prefeito de 2017 a 2022.
Transparência e o Cenário Político
O salto patrimonial e as conexões empresariais de Vanessa Ramuth, esposa do vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth, desde a posse do marido, trazem à tona discussões sobre transparência e as relações entre o setor público e privado. A revelação, feita pela colunista Mônica Bergamo, destaca a complexidade das finanças de figuras públicas e seus familiares, especialmente quando há um envolvimento com empresas que mantêm contratos com o poder público. A sociedade espera clareza sobre a origem e a legalidade desses ganhos, reforçando a importância da fiscalização e da ética na política. Para mais informações sobre política e economia, acesse Folha de S.Paulo.
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