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Operação Janus desvenda elo entre empresários, PCC e corrupção policial em SP

Operação Janus desvenda elo entre empresários, PCC e corrupção policial em SP
Foto: Reprodução/TV Globo

A Operação Janus, deflagrada na última terça-feira (21), trouxe à tona uma intrincada rede de conexões entre empresários, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e agentes públicos em São Paulo. As investigações, conduzidas pelo Ministério Público (MP-SP), revelam como a facção criminosa era acionada para resolver disputas particulares, lavar dinheiro e, de forma alarmante, realizar pagamentos de propina a policiais civis e militares. Mensagens e áudios interceptados são a espinha dorsal das provas que desvendam essa complexa estrutura.

O foco da operação é uma organização financeira clandestina que funcionava como o braço econômico do crime organizado, prestando serviços desde criminosos comuns até chefes do PCC. Com 13 pessoas já presas e 18 mandados de prisão preventiva e busca e apreensão expedidos, além do bloqueio de até R$ 10 milhões em bens, a Janus expõe a profundidade da infiltração criminosa em diversos setores da sociedade.

O “Tribunal do Crime” e a Disputa por Imóvel de Luxo

Um dos pontos de partida para a Operação Janus foi uma disputa de R$ 2 milhões por um imóvel de luxo na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista. Em vez de recorrer ao sistema judiciário formal, os empresários Cléber Azevedo dos Santos e Marcelo de Morais Oliveira, este último detido na operação, optaram pela mediação do chamado “tribunal do crime” do PCC.

Diálogos interceptados mostram a submissão dos envolvidos à facção. Em uma conversa de 26 de maio de 2023, Cléber relata uma reunião sem acordo e afirma: “Agora vou armar com um monte de irmão e no dia nós encostamos lá e quem vai conduzir vai ser o comando.” Essa frase, segundo os promotores, evidencia que a decisão final caberia à organização criminosa. Cléber também menciona que o caso seria decidido no “resumo de SP”, termo que o MP associa às deliberações internas do PCC.

A gravidade da situação é reforçada por um áudio em que Cléber pede formalmente a intervenção da facção, demonstrando sua voluntária submissão às regras do grupo. Outro investigado, Antonio Carlos Sampaio, conhecido como “Compadre”, sugere a violência como método de coerção: “Esses cara tá tirando hora que chegar lá vai ficar tudo amarrado no cativeiro.” Para os investigadores, essa conversa ilustra a atuação coercitiva do “tribunal do crime”.

Esquema de Propina a Agentes Públicos

As investigações da Operação Janus também revelam um esquema sistemático de pagamento de propinas a policiais. Mensagens mostram pedidos de dinheiro destinados a agentes públicos para garantir a proteção das atividades ilícitas do grupo. Em uma troca de mensagens, Cléber envia a Bruno Ramos Fernandes: “Preciso de 50 mil pra poder mandar pra polícia. Chegando aí separa e me avisa blz.”

Outros diálogos envolvem Robson Martins de Souza cobrando recursos para quitar pagamentos a unidades policiais e Cléber pedindo dinheiro a Amjad Ahmad para “pagar a polícia”. Esses indícios reforçam a suspeita de corrupção generalizada. Um áudio, gravado em julho de 2025, é particularmente explícito: Cléber pede R$ 100 mil em espécie para um cliente que “precisar pagar os polícia do Deic, porque ele teve um problema”, sugerindo que o dinheiro era para subornar agentes da Divisão Especializada de Investigações Criminais.

A Sofisticada Estrutura de Lavagem de Dinheiro

O grupo investigado operava uma estrutura sofisticada para lavagem de dinheiro, utilizando criptomoedas e contas blindadas para ocultar a origem ilícita dos recursos. Cléber, em uma conversa, gabava-se da capacidade do “banco” operado pelo grupo de movimentar dinheiro de qualquer proveniência, inclusive de “drogas” ou “avião de jato, de foguete”.

Os serviços financeiros eram oferecidos a uma clientela diversificada, incluindo “clientes de usina, igreja, bingo, fábrica de cigarro”, todos em busca de contas “blindadas”. A movimentação de grandes quantias em espécie era rotineira, como mostra um diálogo entre Antonio Carlos Ubaldo Junior e Leonardo Monteiro Moja, o Léo do Moinho, líder do PCC, sobre a conferência de uma entrega de dinheiro.

A contadora Meire Poza, conhecida por ter atuado para o doleiro Alberto Youssef, também é citada na investigação. Em mensagens, ela afirma receber R$ 70 mil por mês pela sua exclusividade com o grupo e chega a orientar um investigado a não alterar sua declaração de Imposto de Renda, apesar de inconsistências, para não levantar suspeitas. O MP aponta que Meire auxiliava na ocultação patrimonial e na manutenção da estrutura financeira criminosa.

Conexões com Oficiais da Polícia Militar

A Operação Janus também aponta para uma preocupante proximidade entre integrantes do grupo criminoso e oficiais de alta patente da Polícia Militar. O coronel Luiz Carlos Pereira Martins, por exemplo, participava de um grupo de WhatsApp chamado “Aniversário General” junto com Cléber Azevedo e Robson Martins de Souza. Embora as mensagens tivessem caráter social, o Ministério Público as interpreta como indicativas de uma relação que ia além de contatos ocasionais.

Mensagens revelam que Pereira Martins se colocava à disposição para auxiliar os investigados e intermediar contatos com outras autoridades, como o então comandante da Rota, coronel José Augusto Coutinho, e um coronel identificado como Patrício. Este último, inclusive, aparece em uma planilha financeira apreendida com um registro de pagamento de R$ 1.000 em dinheiro. É importante ressaltar que, até o momento, esses policiais não foram alvos da Operação Janus nem foram formalmente denunciados ou acusados, mas os indícios reforçam a necessidade de uma apuração aprofundada sobre a corrupção de agentes públicos.

A Operação Janus expõe a complexidade e a audácia das organizações criminosas em suas tentativas de se infiltrar e corromper as estruturas sociais e estatais. O M1 Metrópole continuará acompanhando os desdobramentos desta e de outras investigações, comprometido em trazer aos seus leitores informações relevantes, atualizadas e contextualizadas sobre os fatos que impactam a realidade local, regional e nacional. Para mais notícias e análises aprofundadas, continue navegando em nosso portal e mantenha-se informado com credibilidade.

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