A construção de um novo terminal de ônibus junto à Estação da Luz marca o início das intervenções urbanas do projeto que vai transferir a sede do governo estadual para o centro da capital paulista. O novo espaço vai substituir o Terminal Princesa Isabel, que será demolido para dar lugar a uma ampla praça planejada como a esplanada central do futuro complexo administrativo, remodelando a dinâmica da região dos Campos Elíseos e integrando transporte, mobilidade urbana e revitalização arquitetônica.
Com conclusão prevista para 2028, a obra do terminal surge como uma etapa estratégica por ocupar um terreno público, o que dispensa demoras com desapropriações e acelera o cronograma de implantação. A estrutura é fundamental para liberar o espaço atualmente ocupado pelo Princesa Isabel, que atende cerca de 7 mil passageiros diariamente em 16 linhas de ônibus. Segundo o governo, a transição operacional só acontecerá após a entrega total do novo equipamento, garantindo que os usuários não fiquem desamparados durante a transição.
Integração com trilhos e reorganização do transporte
Com um investimento estimado em R$ 41,7 milhões, o novo terminal na Luz contará com três plataformas de embarque e uma operacional, ocupando uma área de aproximadamente 6 mil metros quadrados. A proximidade com a rede metroferroviária é apontada pelo governo como o principal diferencial do projeto, permitindo que os passageiros desembarquem praticamente conectados aos trens e à linha 4-Amarela do Metrô. A localização estratégica, com acesso principal pela Avenida Cásper Líbero e fundo para a Rua Brigadeiro Tobias, ocupa um terreno que funcionava como estacionamento de viaturas policiais.
Como a nova área é cerca de 43% menor que a do antigo terminal, a operação de transporte será descentralizada. De acordo com a SPTrans, dez das 16 linhas atuais serão absorvidas pelo Terminal Luz, enquanto as demais serão redistribuídas para o Terminal Amaral Gurgel e para a Praça da Luz, exigindo ajustes pontuais nos itinerários para manter a fluidez do sistema viário na área central.
Esplanada aberta e requalificação da Praça Princesa Isabel
A demolição do Terminal Princesa Isabel permitirá a recuperação completa da praça homônima, inaugurada em 1997 e que atualmente ocupa cerca de metade do espaço público. A proposta do governo estadual inclui a remoção das grades instaladas em 2022 para conter ocupações e o tráfico de drogas, restabelecendo o livre acesso da população à esplanada central do complexo administrativo. O projeto urbanístico também prevê a construção de uma garagem subterrânea com quatro pavimentos e 1.043 vagas, além de alterações na circulação viária local.
A Rua Guaianases será integrada à área de convivência peatonal, enquanto a Avenida Rio Branco passará por um processo de requalificação urbana para nivelar calçadas e pista, priorizando a circulação de pedestres. Essas mudanças fazem parte da preparação do espaço para receber o fluxo de circulação gerado pela chegada de milhares de servidores públicos à região.
Concentração administrativa e parceria público-privada
O ambicioso projeto do Centro Administrativo prevê a reunificação de secretarias e órgãos estaduais hoje dispersos em mais de 40 endereços pela cidade. O complexo consistirá em sete edifícios e dez torres com capacidade para cerca de 22 mil servidores, além da restauração de 17 imóveis tombados pelo patrimônio histórico, a exemplo do Palácio dos Campos Elíseos, que voltará a abrigar o gabinete do governador. O investimento global é estimado em R$ 6 bilhões, viabilizado por meio de uma parceria público-privada firmada com o consórcio MEZ-RZK Novo Centro.
O contrato de concessão tem validade de 30 anos e engloba desde a elaboração de estudos técnicos até desapropriações e a construção dos prédios públicos, com entrega total programada para o fim de 2030. Para continuar bem informado sobre os desdobramentos desta transformação urbana e outros temas essenciais do cotidiano, acompanhe as análises exclusivas e a cobertura completa aqui no M1 Metrópole.