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Nova Zelândia autoriza uso clínico de MDMA para tratamento de estresse pós-traumático

Nova Zelândia autoriza uso clínico de MDMA para tratamento de estresse pós-traumático
Eduardo Knapp - 10.ago.2012/Folhapress

A Nova Zelândia deu um passo significativo na psiquiatria moderna ao autorizar, nesta sexta-feira (4), que médicos especialistas prescrevam MDMA de grau farmacêutico para o tratamento de pacientes diagnosticados com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) grave. A medida, chancelada pela agência reguladora de medicamentos do país, a Medsafe, coloca a nação na vanguarda das terapias assistidas por substâncias psicodélicas, sendo o segundo país do mundo a adotar o protocolo, seguindo o precedente estabelecido pela Austrália em 2023.

A estratégia clínica por trás da substância

O tratamento não prevê o uso recreativo ou domiciliar da substância. Segundo as diretrizes do Ministério da Saúde da Nova Zelândia, o MDMA será administrado exclusivamente em ambiente clínico, sob rigorosa supervisão médica e integrado a sessões de psicoterapia. Apenas pacientes maiores de 18 anos com quadros severos de TEPT — condição frequentemente associada a traumas profundos como combates militares, agressões sexuais ou eventos de risco de morte — serão elegíveis para o protocolo.

O vice-primeiro-ministro David Seymour defendeu a decisão, destacando o impacto devastador do TEPT na vida dos pacientes e a dificuldade de resposta aos tratamentos convencionais. “O MDMA pode ser muito eficaz para tratar a condição por meio da terapia assistida por substâncias psicodélicas. A Nova Zelândia está comprometida em ampliar o acesso a tratamentos inovadores”, afirmou Seymour, que já havia demonstrado apoio anterior ao uso de cogumelos alucinógenos para casos de depressão grave.

Cenário global e desafios regulatórios

A decisão neozelandesa ocorre em um momento de intenso debate científico global sobre o papel dos psicodélicos na saúde mental. Enquanto países como Austrália e Nova Zelândia avançam na legalização controlada, outras nações mantêm uma postura de cautela. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) rejeitou, em 2024, propostas de legalização do uso medicinal do MDMA, citando a necessidade de evidências mais robustas sobre a segurança e a eficácia a longo prazo do composto.

Apesar das divergências, o interesse acadêmico e clínico continua em expansão. Diversos ensaios clínicos seguem em andamento ao redor do mundo, buscando mapear como a substância atua no cérebro para auxiliar na reprocessamento de memórias traumáticas. O acompanhamento científico é considerado o pilar fundamental para que essa prática ganhe escala e segurança, garantindo que o benefício terapêutico supere os riscos associados ao uso de substâncias controladas.

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