PUBLICIDADE

Neurodivergência em foco: Congresso Nacional multiplica projetos legislativos por 6,4 em cinco anos

4.ago.25/Folhapress
4.ago.25/Folhapress

A pauta da neurodivergência, que abrange condições como autismo, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e superdotação, ganhou um impulso significativo no Congresso Nacional nos últimos cinco anos. O número de propostas legislativas relacionadas ao tema cresceu impressionantes 6,4 vezes, refletindo uma crescente visibilidade e demanda social por políticas públicas mais inclusivas e eficazes.

Somente no ano passado, 442 novas matérias foram protocoladas, elevando o total de projetos em tramitação para 1.432. Esse aumento é notável quando comparado a 2020, quando apenas 50 novos projetos foram apresentados. Em 2023, o patamar já havia saltado para mais de 200, e o volume de novas proposições até abril de 2026 já supera o total registrado em todo o ano de 2021.

A ascensão da pauta da neurodivergência no Legislativo

A aceleração da atividade parlamentar em torno da neurodivergência é um espelho da maior conscientização e mobilização da sociedade. A temática, antes marginalizada, agora ocupa um espaço mais proeminente no debate público, impulsionando os legisladores a buscar soluções e garantias de direitos.

Em termos de comparação, o ritmo de novas propostas sobre neurodivergência acompanha a velocidade de pautas de grande repercussão, como a regulação de jogos online e apostas esportivas, cujos projetos dobraram nos últimos dois anos. Embora o volume absoluto seja menor, a taxa de crescimento demonstra a urgência e a relevância que o tema adquiriu no cenário político brasileiro.

O cenário da neurodivergência no Brasil e no mundo

A maior atenção legislativa é fundamentada em dados concretos que revelam a prevalência da neurodivergência. Pela primeira vez, o Censo do IBGE incluiu uma pesquisa sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil, indicando que são 2,4 milhões de diagnosticados, o equivalente a 1,2% da população brasileira, conforme dados de 2022. Este número, por si só, já justifica a necessidade de políticas específicas.

Um levantamento da Memed, empresa de soluções digitais para médicos, com mais de 260 mil profissionais cadastrados, apontou um aumento de 50% nos atendimentos a pessoas autistas entre 2022 e 2025. Esse crescimento foi impulsionado por grupos historicamente menos identificados, como adultos com mais de 20 anos, que cada vez mais recebem diagnósticos, muitas vezes após a identificação em seus próprios filhos.

O Brasil não está isolado nesse movimento. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos reporta um “contínuo crescimento nas estimativas de prevalência de autismo” desde o início do monitoramento em 2000. Na Europa, a Comissão Europeia estima que 1 pessoa a cada 89 seja autista, com números “aumentando rapidamente”. A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula uma média global de 1 caso a cada 121 pessoas, embora ressalte a falta de dados precisos em países de baixa e média renda.

Desafios e foco das propostas legislativas

Entre as 1.432 propostas em tramitação na Câmara e no Senado, o TEA é o mais citado, aparecendo em 877 e 41 projetos, respectivamente. Em seguida, destacam-se a superdotação, o TDAH, a síndrome de Down e a dislexia. É importante notar que diferentes transtornos ou condições podem ser mencionados em um mesmo projeto, o que demonstra a complexidade e a abrangência da pauta.

Apesar do avanço quantitativo, especialistas alertam para um desafio crucial: muitas das medidas propostas ainda não promovem uma integração efetiva entre as áreas da saúde e da educação. Essa lacuna pode resultar em políticas fragmentadas, que não garantem o suporte integral e contínuo necessário para o desenvolvimento e a inclusão plena de pessoas neurodivergentes. A criação de leis deve vir acompanhada de estratégias que articulem os diferentes setores, desde o diagnóstico precoce até a inserção no mercado de trabalho e na vida social.

A importância da legislação e os próximos passos

O aumento exponencial de projetos sobre neurodivergência no Congresso Nacional é um passo fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Essas propostas buscam garantir direitos, acesso a tratamentos, educação especializada e oportunidades para milhões de brasileiros.

Contudo, a aprovação e, mais importante, a implementação efetiva dessas leis exigirão um esforço contínuo. É preciso que o debate parlamentar se aprofunde na qualidade e na integração das políticas, garantindo que as medidas não fiquem apenas no papel, mas se traduzam em melhorias reais na vida das pessoas neurodivergentes e suas famílias. A sociedade civil, por sua vez, continua a desempenhar um papel vital na fiscalização e no impulsionamento dessa agenda.

Para se manter informado sobre este e outros temas relevantes que moldam o cenário brasileiro, continue acompanhando o M1 Metrópole. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, contextualizada e aprofundada, cobrindo uma vasta gama de assuntos que impactam sua vida e a comunidade.

Leia mais

PUBLICIDADE