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Dia dos Namorados: como casais não monogâmicos celebram a data com agendas flexíveis

  • Por
  • REDAÇÃO M1 l METRÓPOLE
  • 11/06/2026
  • Atualizado às 23:39
Rafaela Araújo/Folhapress
Rafaela Araújo/Folhapress

O Dia dos Namorados, tradicionalmente associado a celebrações românticas entre duas pessoas, ganha novas nuances e significados em um cenário de relacionamentos cada vez mais diversos. Para casais que vivem a não monogamia, a data se transforma em uma oportunidade de redefinir o afeto e a comemoração, adaptando-se a dinâmicas que fogem do roteiro convencional.

Longe de um modelo único, a celebração do amor em contextos não monogâmicos exige diálogo, negociação e, acima de tudo, flexibilidade. É o que demonstra a experiência do servidor público Vinícius Eigi, de 25 anos, que neste ano planejou um Dia dos Namorados que se estenderá por 48 horas. Na sexta-feira, dia oficial da comemoração, Vinícius desfrutará de um jantar preparado em casa pelo namorado Ariel Lemos, de 28 anos, médico residente em psiquiatria. No sábado, a celebração será com Artur Rovere, também de 28 anos e advogado, em um restaurante.

A pluralidade das celebrações na não monogamia

A história de Vinícius, que também atua como astrólogo e tarólogo em seu tempo livre, ilustra a fluidez e a adaptabilidade necessárias em relações não monogâmicas. Ele mantém um relacionamento com Artur há cerca de dois anos, enquanto Ariel se juntou à sua vida afetiva mais recentemente, há aproximadamente um mês e meio. Essa configuração, onde Artur também tem outro namorado e Ariel possui a liberdade de se envolver com outras pessoas, é um pilar da não exclusividade.

Para Vinícius, conciliar agendas em datas comemorativas geralmente não apresenta grandes dificuldades. Ele ressalta que o Dia dos Namorados, embora seja uma ocasião para celebrar o amor, não ocupa um lugar central em suas relações a ponto de gerar conflitos. “Normalmente passo o dia com uma pessoa e comemoro com outra em outro momento, mas isso varia bastante. Nunca tive uma regra do tipo: este ano será com um, no próximo, será com outro”, explica. Abertura para novas possibilidades é uma constante, e Vinícius inclusive considera a ideia de uma celebração coletiva com Ariel e Artur no futuro.

Desafiando o roteiro monogâmico: a construção de acordos

A principal característica que distingue a não monogamia da monogamia reside na ausência de exclusividade afetiva e sexual. Nesses arranjos, cada parceiro tem a liberdade de se relacionar com outras pessoas simultaneamente, desde que haja consentimento e comunicação transparente entre todos os envolvidos. Essa liberdade, no entanto, vem acompanhada da necessidade de construir acordos e regras próprias, especialmente em datas socialmente carregadas de expectativas como o Dia dos Namorados.

A socióloga Marília Moschkovich, professora da USP e pesquisadora do tema, destaca que a monogamia oferece um “roteiro social bastante consolidado” sobre como as relações devem funcionar. Desde cedo, as pessoas são ensinadas sobre o que esperar e como agir em um relacionamento monogâmico. No entanto, para quem opta pela não monogamia, essa estrutura pré-determinada não existe. “Quando alguém opta pela não monogamia, precisa construir muitos desses acordos por conta própria”, afirma Marília, que, aos 39 anos, também é adepta dessa dinâmica relacional.

Comunicação e flexibilidade: pilares da não monogamia

A construção desses acordos envolve um processo contínuo de diálogo e negociação. Em vez de seguir um script social, os parceiros não monogâmicos são incentivados a comunicar abertamente seus desejos, limites e expectativas. Isso é crucial não apenas para o dia a dia, mas também para momentos específicos, como feriados e datas especiais. A flexibilidade se torna um valor fundamental, permitindo que as celebrações se moldem às necessidades e disponibilidades de cada um, sem a pressão de seguir um padrão imposto.

A psicanalista e pesquisadora de relacionamentos Carol Tilkian, colunista da Folha, reforça a importância da comunicação constante. Em um contexto onde não há um modelo universal, a clareza nas conversas e a capacidade de adaptação são essenciais para a saúde e a felicidade dos envolvidos. A não monogamia, portanto, não é a ausência de regras, mas sim a criação de regras personalizadas, construídas coletivamente e baseadas no respeito mútuo e na autonomia individual.

A relevância social de novas dinâmicas afetivas

A crescente visibilidade de relacionamentos não monogâmicos reflete uma mudança cultural mais ampla, onde as pessoas buscam formas de amar e se conectar que melhor se alinham com seus valores e identidades. Embora ainda enfrentem preconceitos e incompreensões, essas dinâmicas contribuem para expandir o entendimento sobre o que significa ser um casal e como o afeto pode ser expresso de múltiplas maneiras. A discussão sobre como casais não monogâmicos celebram o Dia dos Namorados, por exemplo, abre espaço para questionar as normas sociais e promover uma maior aceitação da diversidade nas relações humanas.

Compreender a não monogamia não é apenas uma questão de curiosidade, mas de reconhecer a complexidade e a riqueza das experiências afetivas contemporâneas. É um convite à reflexão sobre a liberdade individual, o consentimento e a capacidade de construir laços significativos fora das convenções. Para saber mais sobre a diversidade das relações e o impacto social dessas transformações, clique aqui para acessar estudos e pesquisas sobre o tema.

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